"Fui completamente surpreendido". Esquadra fechou no Porto sem Rui Moreira saber

Agência Lusa , FMC
24 jul, 16:49
Fiscalização da PSP

O presidente da Câmara do Porto afirmou que ficou "completamente surpreendido" pela decisão de fechar até às 16:00 a esquadra da PSP no Infante e que "não se compreende muito bem, pois se há uma esquadra que não pode fechar era aquela"

O presidente da Câmara do Porto desconhecia que a esquadra da PSP, no Infante, só funcionaria entre sábado e este domingo a partir das 16:00, queria “ter sido avisado” antes do anúncio e revelou que vai questionar o Governo.

Rui Moreira reagiu este domingo, em declarações à Lusa, ao edital publicado na esquadra da baixa do Porto onde se lê que “Por imperativos de ordem operacional o serviço de atendimento ao público está suspenso até às 16:00”.

“Fui completamente surpreendido. Aliás, hoje (este domingo) falei com o comandante [da Polícia Municipal do Porto] Leitão da Silva e tive o cuidado de lhe perguntar se ele sabia de alguma e ele [respondeu que] não sabia de nada. É uma situação que me preocupa muito”, disse o autarca.

E prosseguiu: “fechar uma esquadra temporariamente é sempre mau, mas aquela em particular… As esquadras mais próximas são a do Heroísmo, que fica no Bonfim, e a outra, que eu saiba, é Cedofeita. Ora se a própria PSP considera que aquela é a zona mais vulnerável da cidade e foi isso que justificou, por exemplo, as escolhas feitas relativamente à videovigilância, se nós sabemos, por exemplo, para quem nos visita que a perda de documentos pode obrigar a passar por uma esquadra para poder viajar, preocupa-nos muito por causa da população por ser o sítio mais vulnerável”.

Insistindo que “não se compreende muito bem, pois se há uma esquadra que não podia fechar era aquela”, Rui Moreira é, também, crítico da pouca informação disponibilizada, pois, lendo o edital, “não se sabe até que horas vai funcionar, se vai estar à noite ou não”, advertiu.

Rui Moreira promete, por isso, levar o assunto à reunião pública do executivo agendada para segunda-feira ao mesmo tempo que admitiu uma conversa logo a seguir com o ministro da Administração Interna.

“É verdade, nós sabemos, que há muita falta de recursos humanos. Nós próprios o sentimos isso na Polícia Municipal, temos vindo a perder efetivos e não conseguimos encontrar agentes da PSP para preencher os cargos, não temos neste momento o contingente preenchido, mas a verdade é que a Câmara Municipal do Porto tem feito um grande esforço para apoiar a PSP, seja com a compra de automóveis, seja com a videovigilância que vamos pagar seja noutra matéria importante, por exemplo, as competências do trânsito passaram para a Polícia Municipal, o que é suposto aliviar os trabalhos da PSP em proteção e segurança”, recordou o presidente da segunda maior câmara do país.

Considerando, nesta lógica, que “devia ter sido informado previamente da situação”, reiterou que “o presidente de câmara, numa matéria destas, deve estar informado (…) e a população deve estar informada”, e que isso não se faz “afixando um aviso numa esquadra”.

“Vou procurar falar com o senhor ministro [José Luís Carneiro], não o quero incomodar num domingo, até porque a decisão está tomada, mas com certeza que na segunda-feira, depois da reunião do executivo procurarei falar com o senhor ministro ou com a secretária de Estado [Isabel Oneto] que, ainda por cima, é uma pessoa que conhece bem e que foi governadora civil, pelo que conhece isto melhor do que ninguém”, disse.

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