Conselheiros do governo polaco para a covid-19 demitem-se por falta de influência no combate à pandemia

14 jan, 22:35
Mateusz Morawiecki, primeiro-ministro da Polónia
Mateusz Morawiecki, primeiro-ministro da Polónia

Especialistas demissionários dizem que apesar de o país ter uma das maiores taxas de mortalidade do mundo, tem adotado medidas muito limitadas para conter a propagação da doença

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Vários membros do Conselho Médico da Polónia que aconselham o governo de Mateusz Morawiecki sobre o combate à pandemia pediram esta sexta-feira a demissão por considerarem que há uma "discrepância" entre a evidência científica e as medidas implementadas pelo executivo.

Em comunicado divulgado e citado pela agência Reuters, os 13 conselheiros que se demitiram de uma equipa de 17 justificaram a saída por sentirem uma “crescente frustração” com a “falta de possibilidades políticas para introduzir métodos ideais e testados globalmente para combater a pandemia”.

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“A discrepância entre a lógica científica e médica e a prática tornou-se especialmente gritante no contexto dos esforços muito limitados perante uma onda [de casos de covid-19] no outono e depois com a ameaça da variante Ómicron, apesar do elevado número expectável de mortes”, pode ler-se no mesmo comunicado.

Os especialistas indicam que mesmo com uma das maiores taxas de mortalidade do mundo, a Polónia tem vindo a adotar medidas muito limitadas para conter a propagação da covid-19, quando comparada com as de outros países. Entre as medidas em vigor naquele país, destaca-se a obrigatoriedade do uso da máscara em espaços públicos, como transportes, centros comerciais, entre outros, limitação de pessoas em restaurantes, bares, hotéis e eventos culturais, e a apresentação de um teste negativo para entrar no país.

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Governo diz ter de ouvir "diferentes especialistas" de várias áreas

Em resposta, o governo polaco salientou que muitas vezes tem de ter em consideração várias opiniões distintas de diversos órgãos, e não apenas dos conselheiros.

“O governo tem o dever de tomar decisões com base nas perspetivas de diferentes especialistas – do Conselho Médico, economistas, especialistas de outras áreas afetadas pela epidemia”, indicou o executivo da Polónia, em comunicado, citado também pela agência Reuters.

A Polónia tem atualmente 56,4% da sua população vacinada, um valor muito abaixo da média da União Europeia (EU), onde 78% dos adultos têm o esquema vacinal completo. Esta semana, a Polónia ultrapassou as 100 mil mortes por covid-19, com os médicos a atribuírem este valor precisamente à baixa taxa de vacinação e relutância em cumprir as regras para evitar a propagação do vírus.

“Temos vindo a observar uma crescente tolerância ao comportamento das pessoas que negam o risco da covid-19 e a importância das vacinas para o combate à pandemia, o que também se refletiu nas declarações de membros do governo”, assinalaram os especialistas demissionários.

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