400 polícias municipais pegaram num caixão e foram ter à porta de António Costa

Agência Lusa , CE
14 set, 14:46

Trata-se de "uma marcha meio fúnebre". Causa: "não existe na Europa polícia que ganhe menos"

Algumas centenas de polícias municipais partiram às 12:05 desta quarta-feira do Largo de Santos, em Lisboa, em direção à residência oficial do primeiro-ministro, num protesto para exigir melhores salários e a regulamentação da carreira.

A encabeçar a manifestação esteve um caixão que representa “a marcha meio fúnebre” em que os polícias municipais se encontram, disse o vice-presidente do Sindicato Nacional das Polícias Municipais (SNPM), Marco Santos, no início da marcha.

“Estamos já numa de velório perante a inação governativa”, acrescentou.

Segundo o sindicalista, apesar da chuva estiveram no protesto cerca de 400 polícias municipais de todo o continente e ainda seis elementos de Ponta Delgada, nos Açores.

Também autoridades no local estimaram à Lusa a presença de entre 400 a 500 manifestantes.

Além do protesto, os polícias municipais estão esta quarta-feira numa greve de 24 horas, cuja adesão às 09:30 rondava os 90%, estando mais de 20 esquadras encerradas, segundo disse à agência Lusa o presidente do SNPM, Pedro Oliveira.

De acordo com o sindicalista, os agentes sentem-se “desrespeitados e menosprezados”, uma vez que “a sua carreira profissional não está a ser valorizada", com os profissionais a auferirem “um salário que dista apenas sete euros do ordenado mínimo nacional”.

“A carreira dos polícias municipais no regime geral está por regulamentar desde 2009. Estamos há 13 anos a aguardar pela regulamentação. Nasceu com salários muito parcos, as progressões são lentas e as alterações de escalão muito baixas”, descreveu Pedro Oliveira, acusando os diferentes governos de se “esquecerem” destes agentes, ao contrário do que acontece com outros grupos profissionais.

“É a polícia mais barata que existe. Não existe na Europa polícia que ganhe menos e que tenha menos respeito por parte da entidade patronal, administração pública. Isto em termos de inflação, agora, torna-se totalmente insuportável”, alertou.

Atualmente, existem cerca de 900 agentes das polícias municipais a trabalhar em 37 autarquias do país.

No dia 3 de outubro, o SNPM será recebido pelo secretário de Estado da Administração Local, Carlos Miguel.

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