A economia portuguesa já está em terreno negativo? Banco de Portugal e Bruxelas dizem que não, mas há quem tenha estimativas diferentes

31 out, 07:00
Praça do Comércio

O Instituto Nacional de Estatística publica hoje a sua primeira estimativa sobre o andamento da economia portuguesa no terceiro trimestre. Já se sabe que 2022 será um ano de crescimento histórico em Portugal, mas também se sabe que a economia está a desacelerar muito rapidamente. Irá Portugal entrar em terreno negativo? Há estimativas que apontam para um recuo de 0,5%

A economia portuguesa vai registar este ano um crescimento económico histórico depois de em 2020 ter sido dos países da União Europeia em que o Produto Interno Bruto (PIB) mais recuou devido à pandemia.

As previsões do Governo, no âmbito da proposta de Orçamento do Estado para 2023, apontam para um crescimento de 6,5% este ano, uma estimativa igual à dos últimos dados divulgados pela Comissão Europeia. Já o Banco de Portugal e o Conselho de Finanças Públicas vêm a economia a crescer um pouco mais, chegando aos 6,7%.

Independentemente do valor final, mais décima menos décima, Portugal deverá crescer este ano ao ritmo mais elevado desde 1990.

O enorme crescimento de 2022 é, no entanto, a única boa notícia para a economia portuguesa. Muito deste crescimento não é mais do que a recuperação da enorme queda que a economia nacional registou em 2020, ao recuar mais de 8%. E a prova disso é que mesmo que trimestralmente a economia portuguesa tivesse, sucessivamente, registado crescimentos nulos a partir do quarto trimestre do ano passado, ainda assim, o crescimento anual seria de 3,9%.   

E se se sabe há muito que este ano Portugal vai ter um crescimento pouco usual, também se sabe que os efeitos da guerra na Ucrânia, da inflação e o fim deste efeito de arrastamento, colocam a economia portuguesa num padrão de forte desaceleração. A dúvida é saber se essa desaceleração vai levar o PIB, ainda este ano, para terreno negativo em termos trimestrais.

Uma dúvida que os dados conhecidos do primeiro semestre do ano têm colocado de parte. No primeiro trimestre de 2022 a economia surpreendeu e cresceu 2,4% face ao último trimestre do ano passado e no segundo trimestre, quando já muitos vaticinavam um recuo da economia, voltou a registar-se crescimento, embora de apenas 0,1%.

A dúvida fica em saber o que já terá acontecido no terceiro trimestre e o que irá acontecer nos últimos três meses do ano. Esta segunda-feira, o Instituto Nacional de Estatística (INE) divulga os dados do terceiro trimestre e, pelo menos, parte da dúvida ficará esclarecida.

De um recuo de 05% a um crescimento de 0,5%

Existem diversas estimativas sobre o que irá acontecer e que chegam a um intervalo que vai de um crescimento de 0,5% a um recuo de igual magnitude.

As estimativas de entidades oficiais apontam, no entanto, para um cenário em que Portugal escapa ao terreno negativo.

Desde logo o Banco de Portugal. No Boletim Económico de outubro, a instituição liderada pelo antigo ministro das Finanças, Mário Centeno, apresenta uma estimativa de crescimento de 0,1% para o terceiro trimestre e de 0,5% para o último trimestre do ano.

Também a Comissão Europeia, nas previsões de Verão, apresentadas em julho, apontava para um crescimento da economia portuguesa de 0,4% tanto no terceiro como no quarto.

Em sentido contrário aparecem as previsões da Católica Lisbon Forecasting Lab – NECEP que apontam para um recuo de 0,5% no terceiro trimestre face ao trimestre anterior. Se tal vier a acontecer, em termos homólogos, face ao terceiro trimestre do ano passado, a economia deverá crescer 4%.

Mas há muita incerteza, tal como reconhece a Católica. “Os dados são um pouco contraditórios, mas a melhor estimativa é que a economia portuguesa tenha contraído cerca de 0,5% face ao segundo trimestre do ano, o que corresponde a um crescimento de 4% em termos homólogos devido a efeitos base favoráveis”.

Na prática, prossegue aquela entidade, “a recuperação do turismo não terá sido suficiente para compensar as perdas de atividade em outros setores mais penalizados pela subida dos preços da energia e das matérias-primas”.

A Católica Lisbon Forecasting admite, em todo o caso que a previsão do Banco de Portugal para o terceiro trimestre “é um cenário igualmente válido, tal como uma queda próxima de 1%”.

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