Partido Popular espanhol lamenta vitimização de Sánchez para não dar explicações

Agência Lusa , PF
24 abr, 22:06
Alberto Núñez Feijóo (Getty Images)

Num texto publicado na rede social X, Sánchez disse precisar de "parar e refletir" para responder à pergunta de se deve e vale a pena continuar à frente do Governo "apesar do lodaçal em que a direita e a extrema-direita pretendem transformar a política"

O Partido Popular de Espanha (PP, direita) acusou esta quarta-feira o primeiro-ministro do país, o socialista Pedro Sánchez, de estar a vitimizar-se e a fazer campanha eleitoral com o anúncio de que pondera demitir-se.

Sánchez cancelou a agenda dos próximos dias e disse que na segunda-feira revelará se vai continuar à frente do Governo, na sequência de uma investigação judicial que envolve a mulher e que o primeiro-ministro atribui a uma perseguição do PP e do Vox (extrema-direita).

"Em vez de desaparecer cinco dias, o presidente [do Governo] deve aparecer de maneira urgente para dar uma explicação razoável sobre os escândalos que rodeiam o seu partido, o seu Governo e a sua mulher", disse a dirigente do PP Cuca Gamarra, numa declaração enviada pelo partido aos meios de comunicação social.

Para o PP, o problema de Sánchez “não é apenas político, é um problema fundamentalmente judicial", e é lamentável que tenha optado pela "vitimização" e não pela "prestação de contas e a clareza".

"Consideramos que a conferência de imprensa de segunda-feira não passa de um ato de campanha eleitoral de Pedro Sánchez, no qual tentará mostrar-se como uma vítima", disse a 'número dois' do PP, o maior partido no parlamento de Espanha atualmente.

Também o Vox disse que Espanha está a assistir hoje a "uma nova vitimização" de Sánchez para tentar tapar "a corrupção que inunda o seu mandato".

"Se quer refletir, que o faça, mas depois de se demitir", disseram fontes do Vox.

Num texto publicado na rede social X, Sánchez disse precisar de "parar e refletir" para responder à pergunta de se deve e vale a pena continuar à frente do Governo "apesar do lodaçal em que a direita e a extrema-direita pretendem transformar a política".

Um tribunal de Madrid confirmou esta quarta-feira a abertura de um "inquérito preliminar" que tem como alvo a mulher de Pedro Sánchez, Begoña Gómez, por possibilidade de tráfico de influências e corrupção, na sequência de uma queixa da associação "Mãos Limpas", considerada próxima da extrema-direita espanhola.

Em causa, segundo o jornal ‘online’ El Confidencial, estão alegadas ligações de Begoña Goméz a empresas privadas, como a companhia aérea Air Europa, que receberam apoios públicos durante a crise da pandemia ou assinaram contratos com o Estado quando Sánchez era já primeiro-ministro.

Pedro Sánchez diz, no mesmo texto no X, que estão em causa "falsidades" e que Begoña Gómez "defenderá a sua honra e colaborará com a justiça em tudo o que lhe for pedido".

O também líder do partido socialista espanhol (PSOE) acrescenta que estas acusações falsas saíram de páginas na Internet ligadas à direita e à extrema-direita e foram alimentadas pelo PP e pelo Vox, que as levaram para o debate público e político e com denúncias no organismo que avalia conflitos de interesses de titulares de cargos do Estado, que as arquivou.

"Trata-se de uma operação de assédio e destruição por terra, mar e ar, para tentar enfraquecer-me política e pessoalmente, atacando a minha mulher", escreve Sánchez, que acusa PP e Vox de não terem aceitado os resultados das eleições legislativas do ano passado.

O PP foi o mais votado nas eleições, mas não chegou ao Governo, porque uma ‘geringonça’ de oito partidos, incluindo alguns independentistas, reconduziram Sánchez no cargo de primeiro-ministro.

"Aperceberam-se de que o ataque político não seria suficiente", escreveu Sánchez, referindo-se ao PP e ao Vox.

Além desta suspeita que envolve a mulher, Sánchez tem sido atacado por causa de uma investigação judicial a um assessor de um ex-ministro socialista que alegadamente cobrou comissões ilegais a vender máscaras durante a pandemia a entidades públicas, incluindo governos regionais então nas mãos do PSOE.

Nenhum antigo membro do governo ou dirigentes do PSOE estão a ser investigados pela justiça, segundo o que se conhece deste caso, que levou à criação de comissões de inquérito no parlamento, apoiadas pelos socialistas, sobre a compra de material sanitário pelas administrações públicas durante a crise da covid-19.

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