"Tenho de parar e refletir se devo continuar a liderar o governo ou se devo demitir-me deste grande cargo": Pedro Sánchez suspende a sua agenda política

24 abr, 18:46

Em causa a abertura de uma ação judicial contra a sua mulher. Primeiro-ministro espanhol revelará a sua decisão no dia 29 de abril

O presidente do governo de Espanha, Pedro Sánchez, revelou esta quarta-feira, numa carta publicada na rede social X, que vai suspender a sua agenda política nos próximos dias para "refletir" sobre se deve abandonar o cargo que atualmente ocupa.

Na carta, Sánchez justifica esta pausa com a abertura de uma ação judicial contra a sua mulher, Begoña Gómez. "Não é habitual que me dirija a vós através de uma carta. No entanto, a gravidade dos ataques que eu e a minha mulher estamos a sofrer, e a necessidade de dar uma resposta calma, fazem-me pensar que esta é a melhor maneira de expressar a minha opinião", começou por escrever o líder do governo espanhol.

O primeiro-ministro espanhol nota que a ação judicial, por alegados crimes de tráfico de influências e corrupção, foi colocada pela organização "ultradireitista" Manos Limpias, um "pseudosindicato" dos trabalhadores do setor público espanhol, e afirma que esta denúncia faz parte de uma estratégia de "perseguição e demolição" que se arrasta há vários meses para tentar "quebrá-lo política e pessoalmente, atacando a minha mulher".

"Não sou ingénuo. Estou consciente que denunciam Begoña não porque tenha feito nada ilegal, eles sabem que não há nada, mas sim por ser a minha esposa. Também estou plenamente consciente de que os ataques que sofro não são contra a minha pessoa, mas sim contra o que represento: uma opção política progressista, apoiada eleição após eleição por milhões de espanhóis, baseada no progresso económico, na justiça social e na regeneração democrática", escreveu Sánchez, que crítica o papel desempenhado pelos líderes do Partido Popular (PP) e do Vox, Alberto Núñez Feijóo e Santiago Abascal, respetivamente, em todo este processo.

"A democracia falou, mas a direita e a ultradireita, novamente, não aceitaram o resultado eleitoral", disse. "Estavam conscientes que o ataque político não seria suficiente e agora ultrapassaram a linha do respeito pela vida familiar de um presidente do governo".

Pedro Sánchez afirmou que a sua mulher vai defender a "sua honra e colaborar com a justiça" para o apuramento dos factos, antes de questionar se vale a pena continuar no cargo.

"Chegados a este ponto, a pergunta que legitimamente coloco a mim próprio é 'vale a pena tudo isto?'. Sinceramente, não sei", lamentou. "Preciso de parar e refletir. Preciso urgentemente de responder à questão de saber se vale a pena (...). Se devo continuar a liderar o governo ou se devo demitir-me deste grande cargo".

No próxima segunda-feira, dia 29 de abril, Sánchez vai revelar se se demite ou não do cargo de primeiro-ministro, que ocupa desde 2018.

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