"A última coisa que queremos é aumentar a tensão". Filipinas dizem que vão evitar resposta a navios chineses no mar do Sul da China

Agência Lusa , AM
6 mai, 07:40
Ferdinand Marcos Jr (AP)

Declarações do presidente surgiram depois de duas embarcações da guarda costeira chinesa terem disparado canhões de água e efetuado "manobras perigosas" contra navios filipinos

O presidente das Filipinas afirmou esta segunda-feira que a guarda costeira do país vai evitar responder às manbras de navios chineses, num contexto de tensões crescentes no disputado mar do Sul da China.

"Não temos qualquer intenção de atacar ninguém. A última coisa que queremos é aumentar a tensão", declarou Ferdinand Marcos Jr., citado pela imprensa local.

O chefe de Estado filipino garantiu que os navios não vão instalar canhões de água, nem realizar manobras perigosas semelhantes às efetuadas por navios chineses contra embarcações filipinas.

As declarações surgiram depois de duas embarcações da guarda costeira chinesa terem disparado canhões de água e efetuado "manobras perigosas" contra navios filipinos, provocando danos materiais, nas águas disputadas ao largo do atol de Scarborough, na passada terça-feira.

"Não seguiremos o caminho traçado pela guarda costeira chinesa. A missão da marinha e da guarda costeira filipinas é precisamente a oposta: desanuviar as tensões", afirmou, citado pela agência estatal Philippine News Agency.

As reivindicações territoriais das Filipinas e da China no mar do Sul da China sobrepõem-se no atol de Scarborough e, parcialmente, nas ilhas Spratly, palco de confrontos nos últimos meses entre navios das duas nações.

Desde que chegou ao poder, em junho de 2022, Marcos Jr. reforçou os laços de Defesa com os Estados Unidos e criticou Pequim pelas reivindicações de soberania no mar do Sul da China.

Em julho de 2016, o Tribunal Permanente de Arbitragem de Haia decidiu a favor das Filipinas numa sentença contra a China sobre a soberania no atol de Scarborough, situado a menos de 321 quilómetros da ilha filipina de Luzon, caindo, acordo com o direito internacional, na área económica exclusiva de Manila.

Pequim não acatou com a decisão, alegando razões históricas para a reivindicação de soberania sobre a quase totalidade do mar do Sul da China, uma reivindicação que entra em conflito com as de outros países, incluindo Vietname, Malásia e Brunei.

Por estas águas estratégicas, onde os Estados Unidos defendem o direito à livre navegação, passa 30% do comércio marítimo mundial. A região alberga ainda 12% das zonas de pesca do mundo, bem como jazidas de petróleo e gás.

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