À esquerda não fecha portas, à direita só vê radicais. Pedro Nuno Santos trabalha apenas "num cenário de vitória" e quer evitar "desespero" na TAP: a entrevista em seis pontos-chave

22 nov 2023, 07:00

1.A postos para nova geringonça à esquerda. "Não fechamos portas"

Nós não fechamos portas”. Foi deste modo que Pedro Nuno Santos não descartou reeditar uma geringonça à esquerda. A última em 2015, disse, “foi um sucesso” e permitiu “aumentar o espaço de autonomia estratégica do PS”.

“Não podemos voltar a restringir o espaço de autonomia do PS. Isso seria dramático para o PS”, argumentou. Ainda assim, defendeu, o PS vai às urnas a 10 de março à procura do “melhor resultado possível”. “A partir daí, procuraremos as soluções que permitem implementar o programa do PS”, antecipou.

Nesta fase, Pedro Nuno Santos rejeitou cenários, como a presença de bloquistas ou comunistas no Governo. E, numa comparação com a extrema-direita, defendeu os antigos parceiros: “Não há uma equivalência entre o Bloco e PCP e o Chega”. A postura eurocética destes, lembrou, nunca impediu o esforço de redução da dívida. “Não existe nenhum risco sobre essa matéria”.

2.PSD está "radicalizado", o que dificulta diálogo em "matérias de regime"

“Se se quer derrotar o Chega, só há um voto. O voto é no Partido Socialista”. Foi assim que Pedro Nuno Santos falou do partido de extrema-direita, que garantiu não ser “um problema do PS”. Antes de Luís Montenegro, a quem o candidato à liderança do PS nunca ouviu “a fazer uma crítica” à geringonça de direita feita nos Açores, apesar das garantias que não contará com o Chega a nível nacional.

Com o PSD, revelou, a porta também não está fechada. Mas apenas em “matérias de regime”. Contudo, esse é um cenário difícil, explicou, porque os sociais-democratas, além do Chega, estão dependentes do Iniciativa Liberal, algo que para Pedro Nuno Santos os tornaria num Governo “muito mais radical” do que outrora, quando havia alianças com o CDS-PP.

3.Operação Influencer. Longe de "conclusões", clarificação sobre Costa deve ser "o quanto antes"

Quando apresentou a candidatura à liderança do PS, Pedro Nuno Santos defendia que não queria passar os próximos meses a discutir casos de justiça como a Operação Influencer, que ditou a queda do Governo. Na entrevista à TVI e CNN Portugal, não abriu grande exceção: “Tenho o dever de me impor uma disciplina férrea sobre este tema”

Ainda assim, confessou que recebeu a notícia das buscas “com preocupação”. Agora, disse, é necessária uma clarificação da situação de António Costa, que deve estar concluída “o quanto antes”, sempre respeitando os princípios do “tempo da justiça” e da “presunção de inocência”.

“Estamos muito longe, no que respeita a este processo particular, de poder retirar conclusões. Muito longe mesmo”, apontou.

Para Pedro Nuno Santos, António Costa foi o “primeiro traído” pelo chefe de gabinete, Vítor Escária, que guardava mais de 75 mil euros em dinheiro vivo no seu gabinete em São Bento. E como garantir que tal não volta a acontecer? Se for primeiro-ministro, respondeu Pedro Nuno Santos, só há um caminho: “Procurar garantir que a nossa equipa é eticamente Irrepreensível. E essa preocupação será minha desde o primeiro minuto e até ao fim”.

4.Elogios rasgados aos feitos de Costa. Polémicas dão "aprendizagem" ao PS

Pedro Nuno Santos não poupou elogios a António Costa, usando os feitos da governação socialista dos últimos oito anos como um argumento para que os portugueses voltem a confiar no PS depois de tantas polémicas. Uma delas, com a indemnização de 500 mil euros que validou a uma ex-administradora da TAP, acabou por ditar a sua própria saída.

Sobre estas polémicas, Pedro Nuno Santos falou em aprendizagem. “Cada acontecimento deve servir de lição para o futuro. Temos vindo, ao longo do tempo, a aperfeiçoar o nosso escrutínio sobre quem governa”. “António Costa deixa um legado muito importante para o país”, insistiu várias vezes. E deu exemplos: foram criados mais de 600 mil postos de trabalho e a economia portuguesa cresceu acima da média europeia.

O manancial de polémicas, apontou, “não se sobrepõe às marcas positivas do legado de António Costa”. A relação de ambos, garantiu, é “ótima”. Mas não quis revelar se a conversa foi mais calorosa do que o abraço dado pelo primeiro-ministro demissionário ao rival José Luís Carneiro.

5.Sem ataques a Carneiro. Imagem de união no PS

Pedro Nuno Santos não quis, nesta entrevista, disputar o título de maior herdeiro do legado de António Costa com José Luís Carneiro. Ambos, disse, têm “orgulho” de ter feito parte do Governo.

E, apesar de reconhecer que esperava que o ministro da Administração Interna conseguisse reunir apoios de peso entre os socialistas, descarta intensidade na corrida. A luta interna “não tem sido assim tão acesa”, explicou.

Seja qual for o vencedor em meados de dezembro, a garantia é de que “estaremos juntos”. “Faço, como sempre fiz, campanha pelo PS. E não tenho dúvidas que José Luís Carneiro fará campanha [por mim]. Não tenho a menor dúvida de que o PS estará unido”, completou.

6.Privatização da TAP sem "pressa" para não mostrar "desespero"

A privatização da TAP está prevista para 2024. Mas Pedro Nuno Santos, que teve este dossier quente em mãos, considerou agora que “não há pressa” quanto à venda. E deu uma explicação clara: perante potenciais interessados, ao fixar uma data, o Estado acaba por parecer “desesperado”. “O Estado só preserva a sua posição negocial” se não se apresentar como "desesperado”, até porque a situação da empresa é positiva, insistiu. Pedro Nuno Santos reforçou que é favorável uma posição maioritária do Estado na companhia aérea.

Já sobre o novo aeroporto de Lisboa, lembrou que existe um acordo entre o PS e o PSD, que deverá ser honrado. Se for primeiro-ministro, explicou, terá em conta a posição do relatório da comissão técnica independente. Mas se a posição dos sociais-democratas nesta questão for diferente da socialista, admitiu, avançaria unilateralmente. “Não podemos é ficar paralisados mais uma vez. É um crime que fazemos ao país”, disse. Outrora, Pedro Nuno Santos preferia Alcochete. Agora, não se quis comprometer.

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