Cinco mortos em ataque de militantes a esquadra e posto do exército no Paquistão

Agência Lusa , AM
15 dez 2023, 06:49
Fronteira do Paquistão (EPA)

Ninguém reivindicou de imediato a responsabilidade, mas as suspeitas recaem sobre os talibãs paquistaneses

Dois polícias e três rebeldes morreram esta sexta-feira num ataque de militantes a um quartel-general da polícia e um posto do exército num antigo reduto talibã, no noroeste do Paquistão, disseram as autoridades locais.

O ataque na cidade de Tank, em Dera Ismail Khan, ocorreu três dias depois de, na mesma região, um bombista suicida ter lançado o carro que conduzia contra o portão principal de uma esquadra da polícia, e de outros cinco terem aberto fogo, matando 23 agentes no pior ataque deste ano contra as tropas paquistanesas.

O chefe da polícia local, Iftikhar Shah, disse que dois agentes da polícia "tornaram-se mártires" e três ficaram feridos no ataque à sede da polícia.

Dois dos atacantes também morreram, notou o responsável, referindo que um terceiro militante foi abatido por soldados durante o assalto a um posto militar próximo.

Ninguém reivindicou de imediato a responsabilidade, mas as suspeitas recaem sobre os talibãs paquistaneses, conhecidos como Tehreek-e-Taliban Pakistan (TTP).

O grupo está separado dos talibãs afegãos, embora seja aliado do movimento afegão que tomou o poder no país vizinho em agosto de 2021, quando as tropas dos Estados Unidos e da NATO se encontravam na fase final de retirada do Afeganistão, após 20 anos de guerra.

Um atentado com um carro-bomba, na terça-feira, foi reivindicado pelo recém-formado Tehreek-e-Jihad Pakistan, grupo que se acredita ser uma ramificação do TTP.

O Paquistão tem assistido a um aumento dos ataques desde o ano passado, quando o TTP pôs termo a um cessar-fogo.

O mais mortífero ocorreu em janeiro e contabilizou 101 mortos, na maioria agentes da polícia, após um bombista suicida disfarçado de polícia atacar uma mesquita na cidade de Peshawar, no noroeste do país.

O aumento da violência dos militantes tem vindo a afetar ainda mais as relações entre o Paquistão e o regime talibã a governar o Afeganistão. O Paquistão acusa frequentemente os talibãs de acolherem os líderes do TTP em território afegão, a partir do qual lançam ataques.

O Paquistão convocou esta semana um representante de Cabul nomeado pelos talibãs para protestar contra o atentado de terça-feira.

O porta-voz do governo talibã, Zabihullah Mujahid, condenou o ataque e prometeu uma investigação

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