Há muito menos pessoas internadas e em UCI do que há um ano apesar de ter sido batido novo recorde de casos covid

27 jan, 18:08
Melhor ou Pior de 27 de janeiro

Rubrica Melhor ou Pior da CNN compara estado da pandemia entre a mesma semana de 2022 e a de 2021. Taxa de óbitos também é inferior - tal como a taxa de testes positivos por testes realizados

Portugal bateu esta quinta-feira, pelo segundo dia consecutivo, um novo recorde de casos de covid-19. Ao todo, há mais 65.706 novos casos, a que se somam 41 mortes. Analisamos tudo em Melhor ou pior.

A média diária de casos registada na semana que passou é mais de quatro vezes superior à do mesmo período do ano passado. No entanto, a média diária de mortes é inferior em 84% este ano face a 2021, e o número de testes é superior em 361%.

Também os internamentos em enfermaria normal e UCI continuam mais baixos que no ano passado. Quanto à primeira, a redução é de 64% para este ano (2217 internados agora face aos 6135 de há um ano), ao passo que, no caso dos Cuidados Intensivos, essa redução atinge os 79% (158 agora que comparam com 742 há um ano).

O número de infetados face a n.º de testes é também mais baixo este ano, mas a diferença tem-se esbatido nas últimas semanas. É nos restantes dados que conseguimos apurar que a situação está, de facto, melhor que há ano.

A taxa de óbitos por infetados é de 0,08%, valor a cerca de dois pontos percentuais do registado em 2021. Também o número de internados por infetados e o número de internados em cuidados intensivos é significativamente mais reduzido.

 

Pandemia menos grave

A CNN Portugal está a publicar há várias semanas esta análise sobre dados semanais para aprofundar a comparabilidade, evitando por exemplo comparar um dia de semana deste ano com um dia de fim de semana do ano passado.

Fá-lo para medir não apenas valores absolutos mas também para poder aferir sobre a gravidade comparada com o passado.

Como vários especialistas têm apontado, a variante Ómicron, agora dominante, tem uma transmissibilidade muito elevada mas o seu impacto é menor do ponto de vista do desenvolvimento de doença grave e da mortalidade, até porque este ano há uma larga cobertura vacinal em Portugal.

Estes indicadores mostram que a pandemia está mais alastrada mas é menos grave neste janeiro de 2022 do que era um ano antes.

Notas: a proporção entre número de infetados e número de testes realizado não é a taxa oficial de positividade, pois muitos dos casos confirmados podem referir-se a análises em atraso (é, ainda assim, uma aproximação a essa taxa).

Da mesma forma, a relação entre internados e infetados é uma indicação, ressalvando-se que muitos podem tornar-se internados apenas algum tempo depois da infeção.

Recorde-se ainda que os números de internados e em UCI são as médias em cada dia (não os novos internados ou os novos em UCI), seguindo-se a metodologia utilizada todos os dias pela DGS, que tem como utilidade medir a ocupação e a disponibilidade dos hospitais. Quando por exemplo se vê uma proporção de 4,2% entre internados e infetados, isso não significa rigorosamente que 4,2% dos infetados sejam internados, mas sim que face ao número de infetados comunicados nessa semana havia uma média de 4,2% de número de internados. São esses os critérios comunicados diariamente pela DGS.

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