Melhor ou pior: apesar do novo recorde de casos covid há menos mortes, internamentos e pessoas em UCI do que a 12/01/2021

12 jan, 17:07
Melhor ou Pior a 12 de janeiro de 2022

Indicadores mostram que a pandemia está mais alastrada em Portugal mas é menos grave nesta semana de arranque do ano do que no período homólogo

Há um novo recorde de casos covid-19 em Portugal mas é um recorde atenuado pela comparação com há um ano. Vamos por partes: nas últimas 24 horas testaram positivo mais 40.945 pessoas e há a registar também aumentos no número de internados (mais 71, para 1635) e de pessoas nos cuidados intensivos (mais 14, para 167). Não são dados nem sinais bons, porque a pandemia está mesmo a crescer, mas são dados e sinais com um contexto: comparando a semana de 5 a 11 de janeiro deste ano com a de 2021, podemos verificar que, apesar das subidas de todos estes números, a situação continua bastante menos grave em 2022.

Há um ano, a média diária de óbitos para aquela semana já se situava acima dos 100 (113, mais concretamente), enquanto na semana deste ano a média é de 22 mortes diárias, uma redução de 81%.

Também o número de internamentos é bastante menor este ano, com a média atual de 1470 a ser 60% inferior à verificada de 5 a 11 de janeiro de 2021. No parâmetro dos doentes em cuidados intensivos, a diferença é mais notória: a média de 547 do ano passado contrasta fortemente com a de 158 registada em 2022 - uma diferença assinalável de 71%.

No capítulo da testagem, a mesma tendência: na semana que passou foram realizados em média cinco vezes mais testes por dia do que no mesmo período de 2021 mas o número de infetados por número de testes é também inferior em quase quatro pontos percentuais face ao ano passado.

Pandemia menos grave

A CNN Portugal está a publicar esta análise sobre dados semanais para aprofundar a comparabilidade, evitando por exemplo comparar um dia de semana deste ano com um dia de fim de semana do ano passado. Fá-lo para medir não apenas valores absolutos, mas também para poder aferir sobre a gravidade comparada com o passado. Como vários especialistas têm apontado, a variante Ómicron, agora dominante, tem uma transmissibilidade muito elevada, mas o seu impacto é menor do ponto de vista do desenvolvimento de doença grave e da mortalidade, até porque este ano há uma larga cobertura vacinal em Portugal.

Estes indicadores mostram que a pandemia está mais alastrada, mas é menos grave nesta semana de arranque do ano do que no período homólogo.

Nota adicional: a relação entre internados e infetados é uma indicação, ressalvando-se que muitos podem tornar-se internados apenas algum tempo depois da infeção.

Recorde-se que os números de internados e em UCI são as médias em cada dia (não os novos internados ou os novos em UCI), seguindo-se a metodologia utilizada todos os dias pela DGS, que tem como utilidade medir a ocupação e a disponibilidade dos hospitais. Quando por exemplo se vê uma proporção de 4,3% entre internados e infetados, isso não significa que 4,3% dos infetados sejam internados, mas sim que face ao número de infetados comunicados nessa semana havia uma média de 4,3% de número de internados. São esses os critérios comunicados diariamente pela DGS.

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