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Correspondente da CNN Portugal no Reino Unido

Três primeiros-ministros e um novo rei: tudo o que mudou no Reino Unido neste primeiro ano da CNN Portugal

22 nov, 11:00
O rei Carlos III indigitou Richi Sunak (AP)

Dois Primeiros-ministros e uma Primeira-ministra. Uma Rainha. Um novo Rei. Crise Energética e Financeira. Greves Cristiano Ronaldo, Celebrações do Dia Portugal. Um ano no Reino Unido no mínimo marcante e desafiante

Janeiro de 2022 marca o início do percurso como Correspondente em Londres e, desde que estou no Reino Unido, acompanhei quase diariamente um país em constante mudança e com desafios para todos os gostos.
 
O final de 2021 e início de 2022 ficaram marcados internamente a nível político pelo escândalo das festas em Downing Street em pleno período de confinamento. Um tema fraturante e que, por diversas vezes, colocou em causa Boris Johnson.
 
O então primeiro-ministro foi sempre muito questionado ao longo de 2022. Raras foram as vezes em que garantiu consenso junto dos britânicos, mas no final de fevereiro foi elogiado por muitos graças ao apoio intransigente do Reino Unido à Ucrânia após a invasão Russa.
 
De Londres, acompanhei para a CNN Portugal as sanções do Reino Unido à Rússia e aos oligarcas russos, procurando sempre levar a todos a perspetiva dos britânicos que a uma só voz gritavam: “Stop! Stop the war”.
 
Durante este ano, para lá das manifestações que pediam o fim da guerra, vários foram os protestos que acompanhei contra o governo e contra o aumento do custo de vida.

O verão de 2022 também ficou marcado por greves e paralisações de diversos setores que reivindicavam melhores condições laborais.
 
Ainda assim, e mesmo perante tanta insatisfação, o Reino Unido parou no início de junho para celebrar. Celebrar a vida e os 70 anos de reinado de Isabel II. A celebração do Jubileu de Platina foi um dos eventos mais marcantes que já acompanhei e uma experiência totalmente diferente do que havia vivido até então.

Foram vários os colegas que viajaram para Londres e, em conjunto, acompanhámos comemorações que ao longo de vários dias trouxeram festa, cor e muita alegria aos britânicos que mostraram ter um respeito enorme por Isabel II.

O trabalho de equipa foi um dos segredos para a cobertura deste evento. Longe estava eu de adivinhar que, antes do final do ano, voltaria a partilhar outros momentos profissionais históricos com mais equipas vindas de Portugal. 
 
Não podia deixar de lembrar toda a Comunidade Portuguesa que, apesar das crescentes dificuldades, luta diariamente e com orgulho representa Portugal nos mais diversos quadrantes.

São muitos os portugueses que vão deixando marca no Reino Unido e o mês de junho ficou marcado pelas homenagens realizadas a Paula Rego aquando do seu falecimento, bem como as comemorações do dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.
 
Londres contou quer com Presidente da República, quer com o primeiro-ministro, para celebrar o 10 de junho. Vários emigrantes portugueses tiveram a oportunidade de dar o seu testemunho e demonstrar o contributo que têm dado em diversos setores da sociedade britânica.

O verão trouxe também mais uma edição do campeonato inglês de futebol e também aqui há um nome português incontornável: Cristiano Ronaldo.

Depois de não ter marcado presença na pré época dos Red Devils e de muito se ter especulado sobre uma possível saída, estive em Manchester a acompanhar o regresso de Ronaldo aos treinos. As dúvidas desfizeram-se e CR7 iniciou mais uma época em Inglaterra.
 
7 de julho foi mais uma data marcante no panorama politico inglês em 2022. Depois da saída em massa de vários elementos do executivo, Boris Johnson demitiu-se da liderança dos Conservadores e, consequentemente, do governo. Até sair, Boris continuou polémico e entre um “hasta la vista baby” e um período de férias, foi remetendo respostas sobre a crise energética crescente para quem o iria suceder.
 
Liz Truss ganhou a corrida a Rishi Sunak pela liderança do partido num processo eleitoral rápido, perante as criticas da oposição que defendia a realização de eleições gerais antecipadas. Truss tornou-se a terceira mulher a ocupar o cargo de primeira-ministra depois de Margaret Thatcher e Theresa May, mas o seu mandato acabou por durar pouco mais de 40 dias.
 
Um plano de corte de impostos apresentado pelo então ministro das finanças revelou-se um erro que causou danos difíceis de reparar e perante tanta polémica, Truss acabou por renunciar ao cargo a 20 de outubro.

Pelo meio, o momento mais marcante do ano: o adeus a Isabel II. Possivelmente, para muitos, um dos momentos mais marcantes de sempre. Lembro-me perfeitamente de estar a fazer um direto no dia 8 de setembro sobre mais uma sessão parlamentar quando tudo ficou em suspenso. 
 
Com um protocolo já há muito definido, as horas de incerteza que se seguiram junto ao Palácio de Buckingham culminaram com a confirmação do falecimento da monarca. Aí, o silencio tomou conta de um espaço que a cada segundo ficou preenchido com mais e mais pessoas que procuravam recordar Isabel II.

Rapidamente se juntaram a mim vários colegas da CNN Portugal e em equipa acompanhámos cada um dos 11 dias de homenagens. A história contará para sempre este momento único. Um último adeus a uma referência maior para todos, acompanhado ao detalhe pela CNN Portugal.
 
Carlos deixou o título de Príncipe de Gales e foi proclamado Rei Carlos III. Novo dia, novo rei e pela frente inúmeros desafios.

Liz Truss apresentou formalmente a demissão a Carlos III e após ter sido o único candidato à liderança do partido, Rishi Sunak foi convidado pelo novo Rei a formar governo. Sunak tornou-se assim o primeiro primeiro-ministro britânico de origem hindu. Corre contra o tempo. Enfrenta uma inflação histórica, a sombra de uma recessão económica, uma insatisfação generalizada, num país política e economicamente fragilizado.

Desafios em todos os quadrantes para todos que aqui continuaremos a acompanhar na CNN Portugal.

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