Distritos a norte em seca severa/extrema e sem "notícias animadoras"

Agência Lusa , CV
21 jun, 18:44
Um rebento no meio de um campo seco

Com os solos a apresentarem "défices" de água e as previsões a indicarem "temperaturas mais altas do que o normal" para os meses de julho e agosto a norte, há um maior risco de incêndios florestais

Os distritos de Viana do Castelo, Braga e Porto atingiram níveis de seca severa e Vila Real e Bragança de seca extrema, disse esta terça-feira fonte do IPMA, acrescentando que “as notícias não são animadoras" para a região norte.

Apesar da "melhoria" registada no mês de março, devido à precipitação ocorrida, a situação "voltou a agravar" na região Norte em maio, mês "extremamente seco" no qual as temperaturas, maior evaporação e pouca precipitação "não ajudaram", afirmou à Lusa Vanda Pires, do Departamento de Clima e Alterações Climáticas do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA). 

Depois de "praticamente toda a região" registar no final de maio o nível de seca severa, a equipa do IPMA voltou, em 15 de junho, a calcular o nível de gravidade, de acordo com a escala utilizada, que categoriza a seca como fraca, moderada, severa ou extrema. 

"Temos os distritos de Viana do Castelo, Braga e Porto em seca severa e os distritos de Vila Real e Bragança em seca extrema", disse, dando nota de que este é um "agravamento bastante significativo". 

Vanda Pires esclareceu que na zona interior Norte e Centro a percentagem de água no solo é "muito baixa" nesta altura, apresentando um "défice" ao registar valores inferiores a 10%, quase "nulos". 

"Esta região mais interior está com maiores problemas", salientou. 

À Lusa, a responsável adiantou ainda que "as notícias não são animadoras" quanto à previsão de ocorrência de chuva nos próximos dias, apesar de para esta semana estar prevista "alguma precipitação" para o litoral Norte e Centro.

"Não são valores extremamente elevados, são valores ainda assim inferiores ao que é normal para este mês de junho", observou, acrescentando que na zona interior não se prevê valores elevados de precipitação. 

Quanto aos restantes meses de verão (julho e agosto), Vanda Pires afirmou que os modelos de previsão para a precipitação apontam para um verão "dentro da normalidade", até porque a ocorrência de chuva é baixa.

"Esperemos é que em setembro e outubro, no início do novo ano agrícola, realmente voltem as chuvas e que a situação melhore, caso contrário teremos uma situação muito complicada", destacou a responsável. 

Com os solos a apresentarem "défices" de água e as previsões a indicarem "temperaturas mais altas do que o normal" para os meses de julho e agosto a norte, há um maior risco de incêndios florestais. 

O Governo anunciou esta terça-feira que vai lançar a partir de julho campanhas de promoção do uso eficiente da água, dirigidas a todos os tipos de consumidores, com reuniões mensais de acompanhamento da situação até final de setembro.

As medidas foram anunciadas pelo ministro do Ambiente e Ação Climática, Duarte Cordeiro, numa conferência de imprensa conjunta com a ministra da Agricultura e da Alimentação, Maria do Céu Antunes, depois de os dois ministros presidirem à 9.ª Reunião da Comissão Permanente de Prevenção, Monitorização e Acompanhamento dos Efeitos da Seca, na qual foi feito um ponto da situação relativo à situação meteorológica, hidrológica, hidroagrícola e das culturas e abeberamento animal, e a avaliação de situações críticas.

Os ministros recordaram que, segundo previsões oficiais, 34% do país está em seca severa e 66% está em seca extrema, e que as previsões de chuva não irão inverter a situação.

Dados do Instituto Português do Mar e da Atmosfera indicam que este ano é o mais seco de que há registo (desde 1931) e que só o ano de 2005 se aproximou da situação atual, pelo que a seca meteorológica e agrometeorológica "obrigam a tomar medidas”.

No início de fevereiro já tinha havido uma reunião da Comissão, na qual foram anunciadas e tomadas medidas, que serão agora complementadas com outras, sendo que, garantiu Duarte Cordeiro, a água para consumo humano está salvaguardada para dois anos.

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