Quem é Gabriel Boric, o líder estudantil eleito presidente do Chile

20 dez 2021, 10:40

Aos 35 anos, será o segundo chefe de Estado mais novo do mundo.

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“Se o Chile foi o berço do neoliberalismo na América Latina, será também a sua sepultura!”. Foram estas as poderosas palavras de Gabriel Boric em palco, na noite de domingo, após ser eleito presidente do Chile.

A intenção é clara: romper definitivamente com o passado sombrio de Augusto Pinochet, cujo discurso e ideias foram recitadas pelo opositor de Boric na segunda volta, José Antonio Kast, admirador confesso do ditador acusado de inúmeras violações dos direitos humanos.

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Nascido no extremo-sul do país, no frio da cidade de Punta Arenas, em plena Patagónia, Boric, então presidente da Associação de Estudantes da Universidade do Chile, assumiu o papel de protagonista durante os protestos estudantis de 2011 no país, durante os quais se reivindicou a reformulação do sistema educativo chileno, altamente privatizado e orientado para o lucro.

Sem ter completado o curso de Direito, Boric, de origem croata e catalã, foi eleito como independente para o congresso do país em 2013 pela sua região natal, tendo obtido um recorde histórico de votos e rompido com a bicefalia da Câmara dos Deputados chilena.

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Já reeleito, o jovem veio a ser preponderante no processo de adoção de uma nova constituição, em 2019, também quando o país enfrentava graves protestos, ao aprovar a convocação de uma assembleia constituinte para substituir o documento herdado dos tempos de Pinochet.

Durante toda o processo pré-eleitoral, Boric esteve quase sempre no primeiro lugar das sondagens, mas já nos últimos meses perdeu a dianteira para Kast, tendência confirmada pela vitória do extremista de direita na primeira volta, por cerca de 150 mil votos.

Na derradeira campanha, o líder da Apruebo Dignidad, coligação de vários partidos de esquerda, moderou-se, procurando cativar os indecisos do centro. Os longos cabelos e a barba por aparar deram lugar a um look aprumado. As tatuagens, outrora bem visíveis, foram cobertas, para não ferir eventuais suscetibilidades.

A estratégia resultou. Eleito com 55% dos votos, Boric terá agora oportunidade para implementar a sua agenda, cujos pontos centrais são a descentralização, o estabelecimento do Estado social e o aumento da despesa pública. Contudo, a tarefa não será fácil, uma vez que o Chile tem uma economia altamente neoliberalizada, em que o sistema de pensões e até a gestão da água são privadas.

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Os opositores apontam-lhe a inexperiência com fator potenciador de instabilidade, algo que o próprio reconhece. “Ainda tenho muito para aprender”, confessou, durante um evento de campanha.

Já felicitado pelos grandes líderes de esquerda regionais, como Pedro Castillo, presidente do Perú, Gabriel Boric, que quando tomar posse será o segundo chefe de Estado mais novo do mundo, aos 35 anos, tem nele depositadas não só as esperanças de milhões de chilenos, como de ativistas e políticos de esquerda um pouco por todo o mundo.

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