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Sofre como Ronaldo, salta como Ronaldo, marca como Ronaldo, bate recordes como Ronaldo: às tantas, é Ronaldo

24 nov, 18:52
Cristiano Ronaldo

O capitão da seleção deu início à vitória portuguesa sobre o Gana e depois aconteceu aquilo que nos acontece a todos com a idade: damos lugar aos mais novos e ficamos a ver de fora e a torcer para que corra tudo bem

Os anos passam e continua a ser inevitável falar de Cristiano Ronaldo quando o assunto é Portugal. O capitão e a seleção confundem-se num só há tanto tempo que teremos todos de passar por esse processo devagar, devagarinho, habituando-nos a uma nova realidade que, a ver pelos jogadores convocados e até não convocados por Fernando Santos, até nem será nada desagradável.  

Mas, para já, enquanto houver Ronaldo, será quase sempre por aqui que começamos. Sobretudo porque, em campo, é nele que as câmaras se focam primeiro, para nos mostrar aquelas lágrimas, há muito tempo treinadas para mostrar emoção quando ela é tão necessária.

Ronaldo chora com o hino, Ronaldo pede a bola aos colegas, Ronaldo quer jogar, Ronaldo tem fome de golos. Ronaldo é, afinal, Ronaldo, e nem ele se vai habituar nunca a outra realidade. E é por isso que, quando cai na área e o árbitro assinala grande penalidade, é obviamente Ronaldo que vai marcar: mais depressa entregamos uma região a Espanha do que deixamos Ronaldo a ver outro fazê-lo.

Num outro lance, Cristiano Ronaldo mostra que o poder de impulsão ainda é um dos seus pontos fortes.

E, assim, o primeiro futebolista a marcar pelo menos um golo em cinco Mundiais diferentes é um português, pois claro, não é surpresa nenhuma que Ronaldo continua a estar aqui para bater recordes. Se tudo correr bem à seleção, Ronaldo também poderá ser o primeiro capitão a dar uma péssima entrevista antes de um Mundial e a ficar desempregado durante só para o vencer a seguir (não verifiquei especificamente esta estatística, pelo que espero que a internet me devolva uma péssima entrevista de um capitão antes de um Mundial, que ficou desempregado durante e que acabou por vencê-lo a seguir).

Mas seria injusto hoje escrever apenas sobre Ronaldo. Já para não falar de outros Brunos e afins, foram João Félix e Rafael Leão a aumentar a vantagem da seleção de tal forma que Portugal teve mesmo de se esforçar para sofrer a seguir. Assim foi, claro, porque, com Ronaldo ou sem Ronaldo, ainda há um estatuto de sofredor a preservar. E assim ninguém se irá lembrar que, a precisar de desfazer o 0-0, Fernando Santos tirou Otávio para meter William Carvalho. Correu tudo bem, deixem-se de coisas.

A verdade é que Portugal não pode apanhar-se a vencer por dois golos que a bazófia vem logo ao de cima: o selecionador fez uma tripla substituição e, sinal dos novos tempos, até Ronaldo saiu. Noutras alturas, bem sabemos, isto era crime, pecado e motivo de extradição. Agora, é normal. Ronaldo dá lugar aos jovens e fica a sofrer de fora, como tantos capitães já o fizeram na história do futebol quando a idade já não joga a seu favor.

E foi de fora que viu Diogo Costa distrair-se, num erro que quase custava a vitória a Portugal. Felizmente, Iñaki Williams escorregou. E Ronaldo pôde deixar o jogo acabar e ir ter com o jovem guarda-redes para o motivar. Bem, na verdade, foram vários os colegas a ir abraçar e dar uma palavra a Diogo Costa. Mas, lá está, enquanto houver Ronaldo, é sempre para ele que olhamos primeiro.

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