Ex-ministro da Saúde destaca experiência e capacidade de diálogo de Pizarro para “pasta complexa”

Agência Lusa , FMC
9 set, 20:55
Adalberto Campos Fernandes

Adalberto Campos Fernandes salientou que o novo ministro deve ter como “prioridade absolutíssima” a resolução dos “indicadores de restrição de acesso muito fortes” que se verificam em Portugal, que regista um excesso de mortalidade “muito preocupante, um dos piores da Europa”

O médico Adalberto Campos Fernandes destacou esta sexta-feira a experiência e capacidade de diálogo de Manuel Pizarro para assumir a “pasta complexa” da Saúde, defendendo que a sua “prioridade absolutíssima” deve ser o reforço do acesso aos cuidados de saúde.

“O exercício de funções numa pasta com estas características tão difícil em Portugal, como aliás em qualquer país, requer maturidade, experiência, currículo, provas dadas e capacidade de diálogo e isso o Manuel Pizarro tem”, afirmou à Lusa o ex-ministro da Saúde.

O primeiro-ministro, António Costa, propôs ao Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, a nomeação do eurodeputado socialista Manuel Pizarro para o cargo de ministro da Saúde, em substituição de Marta Temido.

Segundo Adalberto Campos Fernandes, o novo ministro da Saúde, que toma posse no sábado, “é um homem de ação e diálogo, não é um homem de barricadas e de construir muros em vez de pontes” e, por isso, apresenta “condições muito favoráveis para uma pasta complexa onde a inexperiência ou o experimentalismo não conduzem a bons resultados”.

Questionado sobre as prioridades de Manuel Pizarro nas novas funções, o ex-governante salientou que, em primeiro lugar, há “problemas de curtíssimo prazo que têm a ver com a disfunção do sistema” e com a necessidade de “olhar para os profissionais do setor com a perspetiva de médio prazo”.

Por outro lado, o novo ministro terá de assumir, segundo Adalberto Campos Fernandes, como “prioridade absolutíssima” a resolução dos “indicadores de restrição de acesso muito fortes” que se verificam em Portugal, que regista um excesso de mortalidade “muito preocupante, um dos piores da Europa”.

“Em tempo de guerra não se limpam armas. Não podemos ter pessoas com doenças cada vez mais graves a chegar aos hospitais por atraso no diagnóstico. Essa é a primeira das prioridades”, alertou.

Além disso, há todo um “conjunto enorme de trabalho, que exige uma enorme dedicação e grande esforço”, salientou o antigo ministro da Saúde, ao sublinhar que Manuel Pizarro deixou o Parlamento Europeu, um “lugar confortável e apreciado politicamente, para vir para o combate político de um Governo em situações muito difíceis”, devido à situação económica do país.

Segundo disse, o Serviço Nacional de Saúde (SNS) tem um orçamento que, tendo sido “tão esticado” nos últimos tempos, está a “dar sinais de não ser bem utilizado, porque há muita ineficiência”.

“Quanto metemos mais reforço financeiro e nos afastamos da eficiência, temos um problema. Temos de atacar objetivamente a dimensão da eficiência”, adiantou Adalberto Campos Fernandes, ao reiterar a necessidade de estabelecer um “contrato social entre a política, os cidadãos e os setores profissionais”.

“Esse contrato social é muito importante e não isolar essa questão de outros partidos que estão fora de determinado perímetro político. Os partidos todos, sobretudo os maiores, tem de ser chamados a essa discussão”, sublinhou o ex-governante.

Manuel Pizarro foi secretário de Estado da Saúde no segundo executivo liderado por José Sócrates, tendo como ministra Ana Jorge.

Marta Temido, de 48 anos, pediu a demissão de ministra da Saúde no passado dia 30 de agosto, mas António Costa pediu-lhe para se manter em funções mais algumas semanas até concluir a aprovação do diploma que regulamenta o Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Esse diploma foi aprovado em Conselho de Ministros e apresentado pela própria Marta Temido na quinta-feira.

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