Marcelo promulga dedicação plena no SNS apesar de "inúmeras dúvidas e reticências"

ECO - Parceiro CNN Portugal , Mariana Espírito Santo
24 out 2023, 15:48
Marcelo Rebelo de Sousa em Bruxelas (LUSA/JOSÉ COELHO)
Adicione a CNN como fonte preferidaSiga-nos no Google News ?Saiba mais

Presidente da República traça críticas aos diplomas na saúde mas promulga na expectativa de que se possa abrir "alguma porta, mesmo estreita, nos regimes de prestação de serviço e sua remuneração".

O Presidente da República decidiu promulgar dois decretos sobre saúde, incluindo o regime de dedicação plena, apesar de sinalizar que tem “inúmeras dúvidas e reticências”. Aponta ainda que estes diplomas levantaram “oposição, mais ou menos intensa, dos profissionais do setor”, segundo a nota publicada na página da Presidência esta terça-feira.

Mesmo com as críticas, diz que “pode ser que se abra alguma porta, mesmo estreita, nos regimes de prestação de serviço e sua remuneração“. Marcelo justifica assim a promulgação apontando que é “urgente recuperar o mais de um ano perdido”, sendo que um travão “só atrasaria o já atrasado, com eventual recurso, pelo Governo, à Assembleia da República para superar o veto presidencial”.

Além da dedicação plena no Serviço Nacional de Saúde e da organização e funcionamento das unidades de saúde familiar, foi também promulgado “o Decreto que procede à criação, com natureza de entidades públicas empresariais, de unidades locais de saúde”.

O Presidente da República critica o facto de estes diplomas aparecerem “depois, e não antes, de o Governo ter regulamentado, por Portaria, o Instituto Público, destinado a gerir o SNS, Instituto que só começa a conhecer estatuto jurídico mais de um ano depois do seu anúncio”. Nota ainda que “um dos diplomas junta a matéria de organização administrativa, duas outras que mereceriam tratamento autónomo: o regime da chamada dedicação plena e o regime das horas extraordinárias”.

Para Marcelo, “essa solução, aparentemente conjuntural, acaba por limitar e enfraquecer o tratamento pontual daquelas matérias”. Além disso, “a componente organizativa também perde com o processo casuístico adotado”, defende.

O Governo aprovou o diploma relativo ao regime de dedicação plena no SNS sem acordo dos sindicatos. Os profissionais abrangidos recebem em troca um aumento de “cerca de 33%” nos vencimentos, no início de carreira”, sendo que o regime exclusivo será voluntário.

Informação em todas as frentes, sem distrações? Navegue sem anúncios e aceda a benefícios exclusivos.
TORNE-SE PREMIUM

Governo

Mais Governo