Pizarro perde mais de metade do salário para ser ministro da Saúde

9 set, 19:38

Novo ministro da Saúde deixa Bruxelas. E um ordenado muito maior

O que é subir na vida? Se é ascender no poder, Manuel Pizarro acaba de galgar muitos degraus. Mas se é ganhar mais dinheiro, o novo ministro da Saúde cai como de um 10º para um 4º andar.  

Pizarro vai perder mais de metade do seu atual ganho mensal por ter aceitado o convite de António Costa para suceder Marta Temido no Ministério da Saúde: passará a ganhar salário de ministro perdendo o elevado ordenado de eurodeputado e o rendimento enquanto especialista em medicina interna no Hospital de São João, no Porto.

Como ministro, Manuel Pizarro ganhará cerca de €7.007 brutos por mês - o equivalente a cerca de quatro mil euros líquidos. 

Enquanto eurodeputado, eleito em 2019, Pizarro recebia várias componentes. A primeira é a de um salário bruto mensal de €9.386,29, valor a que é preciso retirar um imposto comunitário e contribuições para seguros e ainda os impostos do regime de tributação do país em que foi eleito (na prática, quase metade do ordenado vai para impostos e contribuições); ao valor anterior somam-se subsídio para despesas gerais de gabinete que ronda os €4.778 mensais; e um subsídio diário (por cada dia em que em eurodeputado assina a folha de presença no Parlamento Europeu) de cerca de €338; e um um subsídio para quando têm reuniões fora da União Europeia de cerca de €169. Estas últimas parcelas não estão sujeitas ao mesmo tipo de tributação.

Tudo somado - e de acordo também com fontes consultadas pela CNN Portugal - um eurodeputado tipicamente leva para casa mais de €12.000 por mês, valor que em alguns casos ronda os €15.000.

As contas permitem concluir que Manuel Pizarro - como outros que troquem Bruxelas por um lugar no governo em Portugal - perdem entre metade e dois terços do ganho mensal.

Além disto, Pizarro deixa o lugar relativamente sossegado do Parlamento Europeu (onde há muito trabalho técnico e a pressão política é muito menor) para agarrar um Serviço Nacional de Saúde (SNS) em chamas, com falta de recursos humanos, problemas de gestão e de fixação de profissionais, uma crise no serviço de urgências, aumento das dívidas e falta de investimento. 

 De acordo com o Estatuto remuneratório dos titulares de cargos políticos, um ministro recebe mensalmente um valor que corresponde a 65% do vencimento do Presidente da República e ainda um abono mensal para despesas de representação no valor de 40% do respectivo vencimento. Vamos às contas: o Presidente da República recebe cerca de €7.700 brutos (valor a que acresce 25% em despesas de representação); 65% deste valor são cerca de €5.000 brutos, a que acrescem 40% de despesas de representação, o que resulta num salário bruto de um ministro próximo dos €7.007 brutos

Manuel Pizarro cumpre aquilo que os seus mais próximos dizem ser um sonho antigo, ser ministro da Saúde. Paga um preço por isso. O próprio qualificará se subiu ou não na vida, mas não se ouve ninguém dizer que desceu de cavalo para burro.  

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