Esta ilha quer eliminar toda a população de macacos

19 jan, 12:12
Macaco-vervet (Rebecca Blackwell/AP)

Autoridades dizem que a espécie é "incómoda", mas há quem defenda que o problema pode ser resolvido de outra forma

Apanhar e matar 450 macacos-vervet. Este é o plano das autoridades da ilha de Sint Maarten, que pertence aos Países Baixos e fica nas Caraíbas. O objetivo passa por controlar aquilo que é visto como uma espécie invasora e que gera incómodo entre a população local.

Mas não a toda a gente. É que a polémica medida não reúne consenso, uma vez que várias pessoas defendem que se pode fazer o controlo da população através da esterilização e da gestão ambiental.

Mas o governo da ilha está decidido e tem o apoio da organização não-governamental Nature Foundation St. Maarten, que vai ser responsável pela captura e eliminação dos animais ao longo dos próximos três anos.

“Quando uma espécie se estabelece numa zona em que não é nativa, muitas vezes não existem predadores para manter a população debaixo de controlo”, referiu Leslie Hickerson, em declarações ao The Guardian, fundadora daquele projeto, destacando que “o controlo de espécies é um aspeto importante para manter a ilha saudável para quem vier a seguir a nós”.

Este tipo de primata é altamente sociável e costuma ter facilidade em invadir o espaço humano. Nos Estados Unidos, por exemplo, são comuns as imagens de turistas a interagirem com macacos-vervet perto de um aeroporto na Florida.

Macacos-vervet em cima de carro na Florida (Rebecca Blackwell/AP)

Os macacos-vervet são naturais do este de África, mas são também encontrados em várias ilhas das Caraíbas, como é o caso, tendo chegado ali através do comércio de animais exóticos que os europeus realizavam entre os dois continentes na época dos Descobrimentos.

Os dados apontam para a existência de 450 macacos nesta ilha, mas os números podem ser maiores, uma vez que se tem assistido a uma forte reprodução da espécie.

“O número de macacos em Sint Maarten vai continuar a crescer se não forem tomadas medidas, e as consequências para o ecossistema podem ser severas”, refere a Nature Foundation St. Maarten.

Entre os maiores queixosos estão os agricultores da ilha, cujas plantações e colheitas são destruídas pelos primatas, afetando os seus negócios e estilo de vida.

O fundador da Fundação Macaco-Vervet, que conhece a espécie como poucos, não acredita que esta medida seja a mais adequada. Dave Du Toit, que trabalha na África do Sul, de onde a espécie é nativa, defende uma maior eficácia e segurança através da vasectomia dos machos e da esterilização das fêmeas.

Para lá disso, o especialista, que está habituado a gerir conflitos entre humanos e macacos, defende que se faça um estudo para perceber as reais necessidades de alimentos para a população local e qual a disponibilidade de comida para esse efeito.

“Têm de ser identificadas onde, como e quais as comidas que atraem os macacos e quais as áreas que podem ser utilizadas na zona selvagem sem interferência”, acrescenta.

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