Os cinco homens que formam o núcleo duro de Montenegro

22 jan, 07:30
Luís Montenegro discursa na Convenção da Aliança Democrática (Lusa)

Têm um grupo de Whatsapp, dão ordens e preparam surpresas nos bastidores, como a de Santana Lopes na convenção deste domingo. Montenegro conta com eles para posições-chave no Governo, no parlamento e no partido

"Tem aqui uma visita, senhor presidente”, avisou o social-democrata Hugo Soares a Luís Montenegro, enquanto este caminhava rodeado de jornalistas e de câmaras de televisão no hall do Centro de Congressos do Estoril, onde neste domingo decorreu a Convenção "Por Portugal", da Aliança Democrática (AD) .

O líder do PSD parou, olhou e viu que era a sua mulher, que ali estava a ser encaminhada por um dos seus braços direitos. Hugo Soares, secretário-geral do partido, faz parte do seu núcleo duro. “Falamos todos os dias, e várias vezes”, explica à CNN Portugal o antigo deputado, enquanto é interrompido por um militante que quer tirar uma “selfie” com uma das caras do atual PSD. A ele juntam-se todos os dias, na roda mais restrita de apoio a Montenegro, o eurodeputado Paulo Rangel, o vice-presidente da Câmara de Cascais Miguel Pinto Luz, o ex-deputado António Leitão Amaro e o diretor de campanha, Pedro Esteves. São estes cinco, dizem fontes sociais-democratas, que integram o círculo mais restrito do candidato a primeiro-ministro. É habitual falarem por Whatsapp, num grupo que têm todos juntos, confirma à CNN Portugal Miguel Pinto Luz, recusando, contudo, divulgar o nome desse grupo.“Falamos para organizar e preparar a campanha”, lembra à CNN Portugal o autarca durante a convenção. Dentro da sala, onde decorrem os discursos, é na terceira fila que se senta Luís Montenegro, tendo ao lado os “seus” homens de confiança. Pedro Esteves, ali ao pé, vai dando ordens para os técnicos que estão a filmar a iniciativa. É o homem da máquina que coordena a campanha. 

Quando às 10h45 Montenegro entrou na sala da convenção, vinha acompanhado por este seu círculo fechado. Só faltava Paulo Rangel, que chegou mais tarde, pelas 12h50, pouco antes de Paulo Portas falar. Mas não tardou para que Rangel se juntasse a Montenegro e aos outros elementos do núcleo duro. Eram os mais requisitados para entrevistas, os que faziam alguns dos ataques mais diretos ao PS e que se desdobravam em declarações a garantir que não há acordos com o Chega. Alguns foram do tempo de Passos Coelho e todos, ou quase todos, foram afastados das listas do PSD na época de Rui Rio. 

António Leitão Amaro chegou mesmo a trocar o apoio que deu a Rio nas primeiras eleições diretas do partido por Montenegro e hoje é um dos elementos do ser círculo. “Luís Montenegro apostou numa renovação de união, independentemente das tribos, quis juntar pessoas que vêm de dentro do partido, e apostar também em independentes que fazem parte deste projeto que queremos para Portugal, um projeto mais próximo da sociedade civil”, explica à CNN Portugal Leitão Amaro.

Apesar de estes cinco homens serem o chamado núcleo duro, há depois um segundo círculo, que inclui outros nomes como Pedro Reis, coordenador do movimento Acreditar, o ex-deputado Pedro Duarte ou a ex-parlamentar Margarida Bolseiro Lopes. “E também é muito comum o Luís Montenegro falar com Cavaco Silva ou Manuela Ferreira Leite para preparar os próximos tempos”, adianta ainda Hugo Soares, garantindo que o segredo da campanha eleitoral do PSD vai ser a credibilidade e a apresentação de soluções para os problemas das pessoas. “Sem dramas”, garante.    

Foram eles, entre outros elementos do partido, que ajudaram o líder a preparar esta convenção Por Portugal que ontem juntou alguns dos mais destacados políticos do partido. E é neste núcleo duro que o líder do PSD planeia a estratégia até 10 de março. E para eles Luís Montenegro estará a guardar alguns dos mais importantes lugares no Governo, no parlamento e no partido.      

Hugo Soares, o braço-direito

Tem 40 anos, é advogado e secretário-geral do PSD. É dado como o segundo politico mais poderoso do partido. Aliás, durante o discurso de Santana Lopes, este confessou que o convite para ser a surpresa da Convenção foi feito por Montenegro e Hugo Soares. É ele que se movimenta pelo centro de congressos, falando com os militantes, os convidados ou dando entrevistas. Foi deputado entre 2011 e 2019 e aos 34 anos, corria o ano de 2017, tornou-se no parlamentar mais novo a assumir a liderança de uma bancada. Foi uma aposta de Pedro Passos Coelho, mas acabou afastado no tempo de Rui Rio, tendo deixado de ser deputado. Tornou-se um dos rostos da oposição ao ex-líder do partido, tendo feito duras críticas a Rui Rio nos órgãos internos do partido. Começou na política aos 18 anos e esteve à frente da juventude social-democrata. Foi a cara da proposta sobre o referendo para a questão da coadoção por casais do mesmo sexo. Assumiu ter participado na época do Executivo de José Sócrates numa manifestação do chamado movimento “Geração à rasca” e ficou ainda conhecido por ser um dos nomes da Comissão Parlamentar de Inquérito à Caixa Geral de Depósitos. É dele que têm surgido muitos dos ataques ao PS e ao Chega. Recentemente chegou mesmo a irritar-se, garantindo que o partido nunca fará um acordo com André Ventura. É cabeça de lista por Braga.

 

Miguel Pinto Luz, o homem das infraestruturas

Já foi candidato a líder do partido e muitos garantem que o seu sonho é ser agora ministro da pasta das Infraestuturas. Ocupava o cargo de secretário de Estado desta pasta no tempo de Passos Coelho, quando se deu a privatização da TAP. É Miguel Pinto Luz que fala sempre que o tema é o novo aeroporto ou a TAP.  É vice-presidente da Câmara Municipal de Cascais, tem 46 anos, e é o cabeça de lista de Faro, o que lhe valeu uma polémica recente.  As concelhias locais pediram ao líder para reconsiderar a opção por Miguel Pinto Luz não ter “residência” nem “ligação afetiva” ao Algarve. Pinto Luz já alegou que tem família na zona, mas a polémica adensou-se quando começou a circular uma publicação no Twitter, hoje X, feita por ele em 2009, em que criticou um candidato por ir de “paraquedas para o Algarve “ – sendo que na altura o candidato do PS a Faro era João Soares. Outra recente polémica, que envolve a venda de um terreno em Cascais para a construção de um hotel, e que segundo a RTP está em investigação, obrigou Pinto Luz a dar explicações à chegada à Convenção da AD: garantiu que está de consciência tranquila. Pinto Luz, informático e engenheiro, também começou na juventude social-democrata, tendo sido dirigente da distrital de Lisboa. 

 

Paulo Rangel, o europeu

É um nome de peso, mas não está nas listas às legislativas de 10 de março por estar colocado no Parlamento Europeu. Caso Luís Montenegro se torne primeiro-ministro, é um dos nomes mais apontados para ministro. Já se candidatou por duas vezes à liderança do partido, mas perdeu primeiro para Passos Coelho e depois para Rui Rio.  Hoje é vice-Presidente da Comissão Política Nacional do PSD e tem sido um dos que mais tem atacado o PS e a sua governação. Tem insistido na ideia de que é urgente "restaurar a credibilidade das instituições e o prestígio de Portugal fora do país" e rejeita o receio de derrota que tem abalado muito dos sociais-democratas. “Tenho a certeza que o PSD vai ganhar as eleições. Estou absolutamente convicto disso”, disse recentemente. No sábado, véspera da convenção, esteve num jantar de aniversário com dois antigos líderes do partido que não foram à Convenção – Rui Rui e Pedro Passos Coelho.

António Leitão Amaro, o desiludido com Rio  

Tem 43 anos e é vice-presidente do partido. É jurista, foi deputado entre 2009 e 2019 e secretário de Estado da Administração Local no tempo de Passos Coelho. Chegou a dar apoio a Rio em 2018 nas diretas do partido. Mas um ano depois mudou e decidiu colocar-se ao lado de Luis Montenegro, contra o antigo presidente da câmara do Porto. Na altura disse: "Tenho estima por Rui Rio, mas acho que Luís Montenegro é melhor, significativamente melhor.” É cabeça de lista por Viseu, escolhido pelo líder. António Leitão Amaro comparou, durante a Universidade do Verão do PSD, as medidas de habitação de António Costa às de Salazar. Mais recentemente, assim como os outros homens do núcleo duro, apostou em passar a mensagem que o PSD não há hipóteses de se fazer um acordo com o partido de André Ventura. “Não é não ao Chega”. 

 

Pedro Esteves, o assessor 

É o chefe de gabinete do líder social-democrata. Está a par de tudo o que se passa e mantém-se em contato permanente com este núcleo duro de Luís Montenegro. Participa em muitas das reuniões mais longas e mais restritas. É o diretor da campanha da Aliança Democrática. Veio de Bruxelas no ano passado, onde estava há 12 anos. Foi durante muito tempo o braço direito de Paulo Rangel.  Pedro Esteves é licenciado em Engenharia e esteve também ligado à campanha de Carlos Moedas para a Câmara de Lisboa. Segundo fontes sociais-democratas, é dos que melhor conhece os "corredores e a máquina de Bruxelas" e também o partido. 

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