Montenegro quer votos dos "defraudados" e dos "indignados", quer votos do PS e do Chega

Agência Lusa , AG
27 fev, 22:00
Luís Montenegro (Tiago Petinga/Lusa)

Líder da AD lembrou que há consequências das hipóteses que estão em cima da mesa

O presidente do PSD apelou esta terça-feira ao voto dos que há dois anos escolheram o PS e se sentem “defraudados” e dos que querem exprimir a sua indignação através do Chega, alertando que o protesto não serve para mudar de Governo.

Num comício na Universidade da Beira Interior, na Covilhã (distrito de Castelo Branco), Luís Montenegro voltou ao seu apelo ao voto útil nas legislativas antecipadas de 10 de março, que salientou terem “uma importância enorme”.

“As duas opções em cima da mesa – o PS ou a AD – têm consequências, têm resultados”, avisou, embora admitindo que “ambas são legítimas”.

Em primeiro lugar, quis deixar uma palavra aos que deram aos socialistas uma maioria absoluta em 2022, que disse “respeitar muito”.

“É natural que se sintam defraudados, que se sintam dececionados, desiludidos (…) A esses eleitores eu quero dizer que se sintam seguros nesta mudança segura, consistente e estruturada”, disse, salientando que “ninguém é dono do voto de ninguém” e não há problema em mudar neste sufrágio.

Em segundo lugar, Montenegro dirigiu-se àqueles que “até nem concordam com tudo aquilo que o Chega propõe e com aquilo que o seu protagonista maior diz, mas estão cansados e esgotados”, admitindo que “são muitos”.

“Acham que é preciso dar um murro na mesa para que nada fique na mesma, querem enviar uma mensagem que no fundo não é uma mensagem de confiança no Chega, mas de desconfiança no PS e no PSD. Tenho humildade de o reconhecer, na parte que toca ao PSD”, afirmou.

O presidente do PSD e líder da AD (coligação que junta também o CDS-PP e o PPM) disse “respeitar muito esta indignação”, mas apelou a estes eleitores que façam uma reflexão até 10 de março.

“O voto de protesto não contribui para mudar de Governo, se querem mesmo mudar de Governo a AD é o voto seguro de uma mudança segura”, apelou.

Sem se referir diretamente à presença de Pedro Passos Coelho na campanha na segunda-feira, o líder social-democrata respondeu indiretamente ao líder do PS, Pedro Nuno Santos, que disse que “o espírito” do ex-primeiro-ministro iria estar sempre presente na campanha da AD.

“Para aqueles que querem saber qual é o espírito da AD, é o espírito positivo, da esperança, da ambição”, afirmou.

Montenegro avisou que os seus adversários políticos “querem assustar o país a dizer que vem aí o caos, os cortes, a austeridade e que vem aí o sacrifício dos portugueses”.

“Não vale muito a pena discutir o que aconteceu há dez ou 15 anos atrás, os portugueses são muito sabedores”, considerou.

Dizendo que não iria falar para os partidos, mas diretamente para os pensionistas, o líder do PSD quis voltar ao tema das pensões, depois de hoje à tarde ter sido abordado em Portalegre por duas reformadas.

Tal como disse às quatro senhoras, repetiu que se falhar os três compromissos nesta área – atualizar todas as pensões de acordo com a fórmula da lei, fazer um esforço “se e quando for possível” para aumentar mais as pensões mais baixas e atualizar o valor do Complemento Solidário para Idosos para 820 euros – “abandonará as funções de primeiro-ministro”.

“É um compromisso de honra, quem quiser fazer campanha para lançar o medo pode fazer. Eu acredito, confio e aceitarei o veredicto do povo português”, disse.

Em Castelo Branco, é cabeça de lista pela AD Liliana Reis, professora universitária de Ciência Política e Relações Internacionais, num círculo por onde o PSD elegeu apenas um dos quatro deputados do círculo em 2019 e 2022 (sendo os restantes três eleitos pelo PS).

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