Benfica-Estoril, 1-0 (destaques)

Ricardo Gouveia , Estádio da Luz
23 abr, 20:35
Tiago Santos e David Neres no Benfica-Estoril (José Sena Goulão/Lusa)

David Neres imune à ansiedade

Momento: Otamendi alivia toda a pressão da Luz

O resultado estava ainda em branco, João Mário já tinha desperdiçado uma grande penalidade, quando, na marcação de um pontapé de canto, João Mário tocou para David Neres que, num curto espaço do terreno, tirou dois adversários do caminho, ganhou a linha de fundo e cruzou com peso e medida para o segundo poste onde surgiu Otamendi a cabecear, em arco, fazendo a bola sobrevoar Dani Figueira, para aconchegar-se nas redes. A Luz quase que ia abaixo tal era o nível da pressão que foi acumulada ao longo de 44 minutos.

Figura: David Neres imune à ansiedade

O brasileiro foi uma das surpresas no onze de Roger Schmidt esta noite e correspondeu com uma das melhores exibições desde que chegou ao Benfica. Jogou sobre a esquerda, quase sempre no último terço do terreno, onde fez a cabeça em água a Tiago Santos, mas foi sobre a direita que desenhou o lance do golo que descrevemos no «momento do jogo». Neres foi dos poucos jogadores que não acusou a pressão, manteve-se sempre sereno e deixou a sua marca bem vincada na conquista destes três preciosos pontos.

Outros destaques:

Aursnes

Depois de já ter jogado em quase todas as posições do meio-campo para a frente, o polivalente médio norueguês estreou-se esta tarde como lateral direito e até cumpriu nas novas funções, embora tenha passado mais tempo no meio-campo do Estoril. Começou por falhar a primeira combinação com João Neves, mas depois encaixou-se na perfeição no que lhe foi pedido, subindo pelo corredor para colaborar no ataque com João Mário. Esteve na origem do lance que seria o segundo golo do Benfica, mas estava bem adiantado no início da jogada e o golo acabou por ser anulado.

João Neves

Depois de onze jogos a saltar do banco para o relvado na Liga (total de 64 minutos), o jovem médio de 18 anos foi finalmente titular no onze de Roger Schmidt e jogou os 90 minutos, derramando qualidade e, sobretudo, abnegação, entregando-se totalmente ao jogo, ao ponto de Roger Schmidt ter tirado Chiquinho, nas primeiras substituições, e de ter deixado o jovem até ao fim. Apesar da baixa estatura, começou por mostrar-se com uma cabeçada que não passou longe da trave. Depois encaixou-se muito bem no meio-campo, sempre mais em jogo do que Chiquinho, subindo muitas vezes até à entrada da área do Estoril onde recuperou algumas bolas. Nunca se deixou atemorizar pela maior estatura de alguns adversários, foi ao choque e lutou até ao fim.

João Mário

A exibição fica marcada pelo penálti desperdiçado, o terceiro da temporada. Atirou para a zona central e Dani Figueira conseguiu desviar a bola com a ponta do pé. Jogou sobre a direita onde teve muito volume de jogo com Aursnes, mas já foi mais influente no jogo da equipa do que foi propriamente esta tarde.

Otamendi

Acabou por ser o herói do jogo com a cabeçada imparável, mas a verdade é que até ao golo o argentino estava a ter uma tarde negativa, com erros atrás de erros, ao ponto de Roger Schmidt ter colocado Morato e Lucas Veríssimo a aquecer. Depois do golo, os dois centrais voltaram ao banco e Otamendi conseguiu melhorar a sua prestação em campo. Para a história fica a cabeçada imparável do argentino que permitiu ao Benfica ficar bem mais tranquilo em campo.

Pedro Álvaro

Outro central em plano de desataque, neste caso no Estoril. Esteve sempre muito concentrado, ganhou muitas bolas nas alturas, combinou muito bem com Bernardo Vital na área e ainda subiu à área do Benfica para cabecear por cima da trave.

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