Académica entrega pedido de insolvência: «O presente é dramático»

29 set, 12:32
Académica

Clube de Coimbra apresenta dívidas vencidas superiores a 5,6 milhões de euros

A Académica entregou esta semana um pedido de insolvência e reestruturação no Juízo de Comércio do Tribunal Judicial da Comarca de Coimbra, confirmou à agência Lusa o presidente do clube.

Segundo Miguel Ribeiro, o clube apresenta dívidas vencidas superiores a 5,6 milhões de euros, dos quais 1,9 milhões ao Estado, e contabiliza 3,1 milhões de incumprimento a fornecedores e prestadores de serviços.

«O presente é dramático, de facto, e o estado económico-financeiro do clube exige o pedido de insolvência. Com oito milhões de euros de capital negativo, não tínhamos outra solução», sublinhou o dirigente, que tomou posse em junho.

A descida à Liga 3, no final da época passada, pela primeira vez na história do clube, implicou também a perda de receitas na ordem de 1,5 milhões de euros, relativas a transmissões televisivas, aposta online e da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.

«A Académica não preenchia os requisitos para se avançar com um Plano Especial de Recuperação [PER], pelo que só restou a solução de pedir a declaração de insolvência», acrescenta o dirigente.

Desde que tomou posse, a nova direção afirma ter efetuado pagamentos que ascendem a mais de 800 mil euros, dos quais 250 mil euros para salários em atraso.

Miguel Ribeiro vê na aprovação do pedido de insolvência com plano de recuperação a «salvação» dos ‘estudantes’, salientando que a constituição de uma Sociedade Anónima Desportiva (SAD), que está a ser trabalhada, «não iria contribuir em nada para o clube ficar solvente».

«O modelo de uma futura SAD será apresentado aos sócios, previsivelmente até ao final do ano. Estamos a trabalhar nesse sentido, para depois no próximo ano avançarmos com todo o processo de constituição», adiantou.

O pedido de insolvência deverá ter uma decisão judicial dentro de quatro a cinco meses, de acordo com Miguel Ribeiro. Caso seja declarada a insolvência, será aberto um prazo para os credores reclamarem os seus créditos, seguindo-se depois a apresentação e votação do plano de recuperação pela assembleia de credores.

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