John Oliver à CNN Portugal: Boris Johnson não se vai demitir “porque não tem conduta moral”

21 fev, 22:00

No arranque da nova temporada do talk show “Last Week Tonight”, o apresentador não poupa o primeiro-ministro britânico: “Por alguma razão que desafia a lógica, esse homem parece escapar às consequências das suas ações”. Saudades de Donald Trump na Casa Branca? Nenhumas, porque “não é assim tão divertido escrever piadas sobre desespero abjeto”. Um programa sobre Portugal? É possível, mas só a falar do futebol espetacular de Diogo Jota ao serviço do Liverpool FC: “Gosto muito dele!”

A nova temporada do seu talk show já é a nona. Parece-lhe incrível?

É absolutamente ridículo, até quando o ouço dizer isso agora mesmo… Quando começámos o programa, só queríamos chegar ao episódio seguinte e uma parte de mim acreditava que só faríamos um ano, que iríamos apagar-nos. Por isso, o facto de estarmos aqui, oito anos depois, a caminho da nona temporada, é ridículo, mas estou muito grato.

O programa já ganhou mais de 20 prémios Emmy até agora. Suponho que deve estar a fazer alguma coisa bem…

Suponho que sim. Sou britânico e, por isso, tenho um pessimismo inato que me faz acreditar que tudo o que se consegue acaba por morrer. Mas, sim, estamos certamente numa posição em que, na melhor das hipóteses, somos espetaculares e esmagadores. 

Já não ter Donald Trump na Casa Branca torna o seu trabalho mais difícil?

Não! Torna-o mais fácil e mais divertido de fazer, garanto-lhe! Vê-lo na Casa Branca, enquanto humorista, não foi estupendo, para ser honesto. E não só porque ele, ocasionalmente, contribuía para a auto-sátira, tornando o trabalho fundamentalmente insignificante, mas também diferente. Tradicionalmente, a comédia deve pegar em algo muito sério e encontrar uma forma de o tornar tonto. Com ele, pegava em algo inerentemente ridículo e tentava mostrar às pessoas porque era importante. Por isso, a receita habitual era posta de parte, até certo ponto. Não é assim tão divertido escrever piadas sobre desespero abjeto. Houve inúmeros momentos, durante a presidência Trump, em que era essa a sensação. Por isso, é muito mais divertido não lhe dar qualquer atenção enquanto indivíduo e dar muito mais atenção aos problemas sistémicos muito aborrecidos com que, por alguma razão, gostamos de fazer comédia.

E quanto a Boris Johnson em Downing Street? Até que ponto ele é inspirador para si?

É tão inspirador quanto assistir às repercussões! Penso que é muito difícil acreditar que é o fim… Por alguma razão que desafia a lógica, esse homem parece escapar às consequências das suas ações e não há nenhuma razão para acreditar que isso não vai acontecer agora.

Mas acredita que ele irá demitir-se em algum momento?

Não, ele definitivamente não… Não imagino que ele se demita, porque isso teria realmente a ver com uma conduta moral. Coisa que ele não tem, nem nunca teve.

Reinventar-se é algo em que pensa a cada nova temporada do seu programa, ou segue simplesmente o fluxo das notícias?

A beleza disto é que, agora que o Trump já não está em campo, não temos de estar tão em cima do fluxo das notícias como, por vezes, fomos forçados a fazer quando ele ditava esse fluxo. Penso que, até certo ponto, queremos reinventar-nos, queremos que o programa fique melhor e se desenvolva e tenha vozes diferentes a trabalhar nele. Penso que um dos desenvolvimentos, agora, é o regresso ao estúdio a tempo inteiro, o que nos vai permitir fazer aquelas produções divertidas e espetaculares que não pudemos fazer nos últimos dois anos. É isso que pretendemos, acima de tudo. Que esse desenvolvimento seja realmente divertido.

Se tivesse de fazer um programa sobre Portugal, como seria?

Pessoalmente, neste momento, sou um adepto do Liverpool. Por isso, esse episódio seria realmente sobre o Diogo Jota a ser uma aquisição absolutamente espetacular para o clube! Ele está a crescer incrivelmente bem. Como fã do Liverpool, seriam 20 minutos só a dizer como gosto do Diogo Jota, o que é muito. Gosto muito dele!

Já esteve em Portugal alguma vez?

Nunca estive em Portugal, mas seria muito simpático ir aí ou, na verdade, a qualquer lugar, porque não estive em lugar nenhum nos últimos dois anos.

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