"Nem em sonhos pensei que fosse possível": o futebolista Josh Cavallo pediu o namorado em casamento em pleno relvado

CNN , Chris Lau
14 mar, 11:45
Josh Cavallo (Adelaide United)

Pedido de casamento aconteceu no Coopers Stadium, campo da equipa da A-League australiana, o Adelaide United

Josh Cavallo, primeiro jogador de futebol de topo abertamente homossexual, pede o parceiro em casamento no relvado

por Chris Lau, CNN
 

Josh Cavallo, a primeira estrela do futebol profissional masculino de topo a assumir-se como gay, abriu um novo caminho ao pedir o namorado em casamento no relvado do clube onde joga.

O jogador australiano fez história em 2021 quando publicou na Internet um vídeo emotivo em que se assumia gay e prometia mudar a cultura do desporto "para mostrar que todos são bem-vindos no jogo de futebol".

O anúncio foi saudado como um momento decisivo num desporto com uma longa e conturbada história de homofobia enraizada, particularmente no futebol masculino.

Desde então, Cavallo, de 24 anos, tornou-se uma das caras mais reconhecidas do desporto e um defensor assumido de uma maior igualdade para a comunidade LGBTQ.

Agora anunciou que pediu o namorado em casamento no Coopers Stadium, o campo da equipa da A-League australiana, o Adelaide United.

Juntamente com uma fotografia sua de joelhos e com um anel na mão, Cavallo declarou numa publicação no X: "Começar este ano com o meu noivo".

Outras fotografias mostram o jogador radiante enquanto o seu parceiro cobre os olhos e um grande plano dos dois de mãos dadas. Cavallo agradeceu à sua equipa "por ter ajudado a preparar esta surpresa".

"Vocês proporcionaram um espaço seguro no futebol, um espaço que nem em sonhos pensei que fosse possível", escreveu no X, acrescentando que queria "partilhar este momento especial no campo, onde tudo começou".

Desde que se assumiu, Cavallo entrou em campo nos jogos da A-League Pride com o nome e o número da sua camisola impressos com as cores do arco-íris para sensibilizar a opinião pública e tem publicado constantemente mensagens de incentivo nas redes sociais.

Em 2022 foi nomeado "Homem do Ano" numa cerimónia de entrega de prémios organizada pela Attitude Magazine, a maior revista LGBTQ da Europa.

"A FIFA fez-me sentir excluído": jogador homossexual da primeira divisão desabafa sobre a proibição da braçadeira do Qatar

 

Durante uma entrevista à CNN, há dois anos, Cavallo manifestou-se contra a decisão da FIFA de proibir os jogadores de usarem braçadeiras "OneLove" no Campeonato do Mundo realizado no Qatar, dizendo que essa medida o fez sentir-se "excluído".

Não chegou a fazer parte da lista final de jogadores mas, na altura, disse que desejava que o capitão australiano usasse a braçadeira em solidariedade com a comunidade LGBTQ.

"Se eu estivesse lá e fosse o capitão, sim, teria usado a braçadeira. Não tenho vergonha de ser quem sou", disse Cavallo à CNN em 2022. "E é exatamente por essa razão que me assumi e que sou a pessoa que sou hoje."

Nos últimos anos, o futebol profissional tem registado grandes progressos na luta contra a homofobia e o racismo e lançou várias campanhas, mas o preconceito continua enraizado entre alguns adeptos, clubes e jogadores.

De acordo com um relatório sobre a época de 2022-23 divulgado pela Kick It Out, o grupo antidiscriminação do futebol inglês afirmou ter recebido 1.007 denúncias de comportamentos discriminatórios, um aumento de 65,1% em relação à época anterior.

Embora o racismo tenha sido a forma mais dominante de discriminação, a Kick It Out disse que a pesquisa realizada pela Signify, que investiga ameaças e desinformação online, identificou "picos de abuso homofóbico e misógino visando vários jogadores de alto nível da WSL [Women's Super League]", mesmo quando as autoridades do jogo continuam a promover uma série de campanhas de combate à homofobia e promoção da inclusão LGBTQ+.

Até à data, são ainda muito poucos os futebolistas profissionais do sexo masculino que se assumiram como homossexuais.

 

 

No início desta semana, a seleção nacional austríaca anunciou que não tinha selecionado três jogadores do Rapid Viena para o jogo depois de ter surgido um vídeo que mostrava os jogadores a participarem nos festejos pós-jogo, gritando cânticos homofóbicos com uma parte do público.

No entanto têm-se registado comentários e intervenções de jogadores de futebol de renome que apelam a uma maior tolerância e diversidade.

No ano passado, o guarda-redes do Arsenal Aaron Ramsdale disse que não podia continuar em silêncio sobre os abusos homofóbicos no futebol, por amor e respeito pelo seu irmão, que é homossexual.

"Quero que o meu irmão... - ou qualquer pessoa de qualquer sexualidade, raça ou religião - possa ir aos jogos sem ter de ter medo dos abusos."

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