Jessica Lawson morreu numa visita de estudo a França. Sete anos depois, o processo acabou e não há culpados

CNN Portugal , DCT
6 out, 10:34
Jessica Lawson (Jessica Lawson Foundation)

Os três professores que acompanhavam Jessica Lawson e os restantes alunos numa visita de estudo a França foram ilibados das acusações. Sete anos depois da morte da menina inglesa, os pais continuam à espera de respostas e de um desfecho do processo

Sete anos depois da morte da jovem inglesa Jessica Lawson numa visita de estudo a França, o processo, que está a ser tratado no Palais de Justice, em Tulle, continua sem culpados. 

Jessica Lawson tinha apenas 12 anos e era uma das alunas mais novas na visita de estudo da escola Wolfreton ao Club Correze em Meymac. Um dos elásticos do pontão soltou-se e a menina morreu afogada depois de ter ficado debaixo da plataforma, lê-se numa notícia da BBC, publicada em 2015. O nadador-salvador ainda mergulhou duas vezes até conseguir resgatar o corpo da criança, que foi levada para o hospital em Limoges, mas já sem vida.

Todas as crianças que estavam na visita de estudo eram menores de idade.

O caso arrasta-se desde 2015 nos tribunais franceses e só esta semana é que os professores Steven Layne, Chantelle Lewis e Daisy Stathers, que acompanhavam Jessica e mais 23 alunos, foram ilibados de qualquer culpa, conta a Sky News. Estavam indicados por homicídio culposo por negligência grave e corriam o risco de serem presos durante três anos.

Esta quinta-feira, a mãe de Jessica escreveu na página de Facebook da fundação criada em nome da filha - Jessica Lawson Foundation - um texto emotivo sobre a morte da criança e o desenvolvimento do processo. “Sem vitória, sem derrota, sem empate. Já é suficiente. Nós, como família, estamos orgulhosos e permanecemos unidos. Uma proximidade nascida da nossa tragédia. Uma proximidade que continua a ganhar força a partir da nossa luz orientadora. O nome dela é e continua a ser Jessica Lawson. Nos últimos dois dias, os media mundiais disseram o nome dela. E isso para a nossa família está bem. O amor incondicional é uma coisa poderosa. Imensurável. Eu sou Brenda Lawson. Eu sou a mãe da Jessica. Ela é a minha menininha. Nenhum tribunal em qualquer país pode tirar isso de mim... nunca”.

Os advogados dos professores defenderam que os três docentes agiram no mais curto tempo possível e que se tratou de um acidente “sem culpados”, pois tratava-se de uma zona vigiada e alegadamente segura e a criança era boa nadadora, mas o facto de o pontão se ter voltado e virado complicou a situação e fez com que os professores perdessem a criança de vista.

“A área estava a ser inspecionada pelo nadador-salvador, o nadador-salvador estava presente, a bandeira estava verde. (...) Não havia nenhuma razão para pensar que a plataforma flutuante pudesse virar. Não sabemos se o afogamento ocorreu no momento em que a plataforma virou. (...) Portanto, não há evidências para mostrar que eles [os docentes e o nadador-salvador] foram negligentes - portanto, são considerados inocentes”, argumentou Marie-Sophie Waguette, chefe de jurisdição em Tulle, tendo decidido, então, não atribuir culpas à morte da criança. 

Segundo o The Guardian, também o nadador-salvador que se encontrava no local, Leo Lemaire, e a autoridade da cidade de Liginiac (a quem era exigida uma multa de 45 mil euros) foram considerados inocentes.

A recente decisão do tribunal não foi bem aceite pelos pais de Jessica Lawson. O progenitor chegou mesmo a sair da sala de audiências depois de ouvir que os professores sentiram uma dor semelhante à da família, relata a BBC.

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