Como a morte de Abe destapou as ligações do maior partido do Japão com uma seita

27 set, 05:24
Funeral de Estado de Shinzo Abe

Funeral de Estado do antigo primeiro-ministro acontece esta terça-feira, contra a vontade da maioria dos japoneses. A lista de convidados VIP é longa, mas a memória de Abe está manchada pela sua proximidade à polémica Igreja da Unificação

Cerca de quatro mil convidados, entre eles, mais de 700 altos representantes de dezenas de países amigos do Japão, participam esta terça-feira no funeral de Estado do antigo primeiro-ministro nipónico Shinzo Abe, assassinado a tiro em julho. Desde de manhã cedo, milhares de pessoas fazem fila para prestar homenagem ao antigo governante no local da cerimónia oficial, dominado por uma grande fotografia de Abe. O aparato policial é enorme, e por toda a cidade de Tóquio ouvem-se os helicópteros da polícia.

Sem convite, outras pessoas têm-se manifestado nas últimas semanas nas ruas contra esta cerimónia, e centenas voltaram a fazê-lo ao longo do dia de hoje, desde cedo. Recorde-se que na semana passada um homem se imolou pelo fogo em frente ao gabinete do primeiro-ministro, em protesto contra esta homenagem a Abe, naquele que foi o mais grave incidente motivado por esta cerimónia - o indivíduo só não morreu porque as autoridades conseguiram apagar as chamas.

O funeral de Estado em homenagem de Abe tornou-se um assunto de forte divisão na sociedade japonesa, e um peso político que tem arrastado para o fundo a popularidade do governo, e em particular do atual primeiro-ministro, Fumio Kishida. Apesar dos protestos, e da forte oposição da opinião pública (as sondagens mais recentes indicam que 60% dos inquiridos estão contra a cerimónia de hoje), Kishida não recuou no propósito de homenagear o homem que durante mais tempo liderou o Partido Liberal Democrático (PLD), o partido de ambos, e o governo do Japão. Kishida foi ministro dos Negócios Estrangeiros sob as ordens de Abe, assim como Yoshihide Suga, que chefiou o governo durante pouco mais de um ano, entre o mandato de Abe e o de Kishida. 

Na cerimónia de hoje (com arranque marcado para as 2 da tarde em Tóquio, 6h da manhã em Lisboa), tanto Kishida como Suga tomam a palavra para invocar Abe, o homem que durante mais tempo chefiou o governo na história do Japão democrático, ou seja, desde a II Guerra Mundial.

Pressionado pelas sondagens e pelos partidos da oposição, Kishida foi ao parlamento nipónico defender que a homenagem a Abe é “apropriada” tendo em conta o seu papel na história do país e o seu legado, mas também o impacto internacional da sua morte em circunstâncias dramáticas. Líderes de todo o mundo queriam expressar as suas condolências e a admiração por Abe, alegou o governo, e a única forma de assegurar que o poderiam fazer era com um funeral de Estado.

A vice-presidente dos EUA é a figura de maior relevo entre as presenças internacionais, num friso onde estarão também os chefes do Governo da Índia e da Austrália, entre outros primeiro-ministros, o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, e dezenas de ministros dos Negócios Estrangeiros. Portugal está representado pelo ex-presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues.

Fumio Kishida aproveitou as cerimónias fúnebres para contactos ao mais alto nível com representantes de dezenas de países, naquilo que o jornal Japan Times classificou como “diplomacia de condolências”. Com as respetivas fotografias, naturalmente, publicadas nas redes sociais, como a do encontro com Kamala Harris, na sua primeira visita ao Japão deste que é vice-presidente dos EUA. “Foi uma oportunidade para renovar nossa determinação de fortalecer ainda mais a Aliança Japão-EUA e fortalecer a cooperação Japão-EUA para a realização de um “Indo-Pacífico livre e aberto”, pode ler-se na conta oficial de Twitter do gabinete do primeiro-ministro japonês.

安倍元総理の国葬儀に参列するために、就任後初めて訪日したハリス米副大統領との間で意見交換を行い、続いて10名の米代表団と夕食をともにし、安倍元総理を偲びました。日米同盟の更なる強化や「自由で開かれたインド太平洋」の実現に向けた日米連携強化の決意を新たにする機会となりました。 pic.twitter.com/54NKxr4FpH

Porque há tantos japoneses contra a homenagem?

Depois de quase uma década à frente do governo do país (em dois períodos distintos, o segundo por mais de oito anos), Shinzo Abe não foi apenas o político mais influente do Japão moderno, mas também uma figura central no novo protagonismo global do Indo-Pacífico. Foi ele quem cunhou a expressão “Indo-Pacífico livre e aberto”, em resposta à crescente assertividade da China enquanto potência económica, política, diplomática e militar, e ao assédio que as forças chinesas iam cada vez mais fazendo sentir sobre territórios ou águas territoriais de países vizinhos.

Mesmo depois de se ter retirado da chefia do governo por razões de saúde em 2020, Abe continuava a ser o político mais conhecido no seu país, uma voz internacionalmente ouvida, e uma das figuras mais influentes do PLD, o partido que tem governado o Japão de forma quase ininterrupta desde os anos 50. Abe continuava a dirigir a fação mais dura e conservadora do PLD, conhecida pelo seu forte nacionalismo, tendências militaristas e vincado conservadorismo nos costumes.

A sua morte, a 8 de julho, assassinado a tiro enquanto falava num comício de campanha eleitoral do seu partido, chocou o Japão e o mundo. A comoção nacional terá contribuído para o bom resultado do PLD nas eleições que ocorreram dois dias depois do assassinato, reforçando a sua maioria no Senado. A popularidade de Kishida estava então em níveis muito altos, e foi nesse contexto que o primeiro-ministro decidiu agendar o funeral de Estado para Abe.

Mas a onda estava a mudar, e essa decisão reforçou tal mudança. Não é comum a realização de funerais de Estado no Japão - após a II Guerra Mundial, ocorreu apenas um, em 1967, em reconhecimento do legado de Shigeru Yoshida, o homem que conduziu o governo nipónico quando o país recuperava da derrota na guerra. Ao fim de 55 anos, o PLD decidiu fazer o mesmo por outro primeiro-ministro, cujo legado é bastante mais polémico e divisivo. 

Os opositores de Abe criticam-lhe os excessos conservadores, autoritários, nacionalistas e militaristas - incluindo a sua tendência para aligeirar as responsabilidades do Japão na II Guerra Mundial, e a insistência em homenagear os mortos japoneses nesses conflitos, incluindo aqueles acusados de crimes de guerra.

Para além da excecionalidade desta cerimónia, há a questão de ser paga com dinheiro público - muito dinheiro público: o equivalente a cerca de 12 milhões de euros, quando a primeira estimativa de custos, em julho, apontava para 1,7 milhões de euros. E isto, quando a população enfrenta uma crise económica global, que já está a impor dificuldades a muitas famílias por causa do aumento dos preços, num país que não tem memória da existência de inflação.

Mas a principal causa da oposição à homenagem de hoje tem a ver com o que se descobriu sobre as ligações de Shinzo Abe, e do PLD, a uma seita sul-coreana com enorme poder nos bastidores da política nipónica: a Igreja da Unificação.

O polvo da Igreja da Unificação

Após o choque das primeiras horas, os japoneses começaram a questionar-se sobre as razões que teriam levado Tetsuya Yamagami, um pacato desempregado japonês de 41 anos, a construir uma arma de fogo caseira e a disparar à queima roupa contra Shinzo Abe num evento público. Quem era aquele homem e por que razão havia cometido aquele ato?, eram as perguntas que todos faziam.

A primeira resposta foi negativa e pouco esclarecedora: Yamagami fez questão de deixar claro, nas primeiras declarações às autoridades, que não era movido por razões políticas. A ideia de um crime politicamente motivado (como aconteceu algumas vezes contra altos responsáveis políticos do Japão no último século) era posta de lado. Então?...

A resposta esclarecedora, com as verdadeiras razões para os disparos, demorou a chegar ao grande público. Nas redes sociais e nalguns jornais de nicho surgiram, logo no dia do assassinato e no dia seguinte, referências a uma carta em que Yamagami justificava o seu ato com o facto de Abe ter sido cúmplice, ao longo da sua vida política, com uma seita sul-coreana chamada Igreja da Unificação. 

Uma fonte oficial confirmou que haveria uma ligação entre o assassinato e uma organização religiosa, que não foi identificada, mas os principais órgãos de comunicação social do país levaram vários dias até puxar esse facto para as manchetes.

Aos poucos, em órgãos de comunicação com menos visibilidade e nas redes sociais, as motivações do atirador foram ficando mais claras, conforme se foram conhecendo os detalhes dessa carta, enviada dias antes do assassinato a um blogger japonês que se dedica a denunciar as atividades da Igreja da Unificação: a mãe de Yamagami era membro dessa seita, à qual tinha doado todos os bens da família, incluindo a casa onde todos moravam. As doações foram estimadas por um familiar em 736 mil euros, toda a fortuna da mulher e da sua família. Era uma história de vidas arruinadas pelo fanatismo religioso da matriarca, enganada pelas promessas de salvação e remissão dos pecados caso fizesse generosas doações à Igreja da Unificação.

Afinal, Abe tinha sido morto por um homem ressentido, que acusava o antigo primeiro-ministro de ter ligações à seita sul-coreana, permitindo que as suas atividades acabassem por lhe destruir a família e as perspetivas de vida. Mas levou alguns dias até que estas informações chegassem ao grande público. Por alguma razão, muitos grandes media japoneses pareciam respeitar um pacto de silêncio sobre a Igreja da Unificação e as ligações de Abe a essa organização. Alguns alegaram o risco de alimentar uma onda de ódio em relação a organizações religiosas ou a entidades estrangeiras (por se tratar de uma seita sul-coreana). 

Porém, o impacto do assassinato de Abe foi tal, e a necessidade de dar explicações também, que deixou de ser possível manter esse tabu. E foi destapada uma teia de relações subterrâneas entre política e religião que acabou por manchar a memória de Abe e arrastar a imagem do PLD e do atual governo.

O que é a Igreja da Unificação?

A Federação da Família para a Paz e Unificação Mundial, conhecida como Igreja da Unificação, foi fundada na Coreia do Sul em 1954 por Sun Myung Moon, anti-comunista feroz e autoproclamado messias. A guerra da Coreia tinha terminado no ano anterior (embora nunca tenha sido assinado um armistício), e Moon acabou por ser um instrumento na resistência sul-coreana à ameaça comunista, tendo alegadamente contado com o apoio ativo dos serviços secretos dos EUA.

Instalada na Coreia do Sul, a organização (que ficaria conhecida em Portugal como Seita Moon, numa alusão ao nome do seu fundador) tratou de se expandir para outras geografias, com a dupla missão de salvar almas e travar o comunismo. O Japão foi um dos primeiros destinos na sua expansão internacional, e encontrou terreno fértil neste país. O conservadorismo de Moon combinava bem com o conservadorismo nipónico, e o horror ao comunismo também, num país que em plena Guerra Fria tinha como maior aliado os EUA e como principais vizinhos a União Soviética, a China e a Península Coreana. 

Nos anos 60, começou a intrincada teia de relações da seita com políticos conservadores japoneses, através da Federação Internacional para a Vitória sobre o Comunismo, fundada por Moon. Muitos políticos japoneses conservadores, preocupados com a ameaça comunista dos anos 60 e 70, aliaram-se a essas organizações, em troca de apoio político. Dois desses políticos nipónicos ligados a esta seita logo nesses anos eram o avô e o pai de Abe. A informação foi confirmada numa conferência de imprensa em Seul pelo antigo nº2 de Moon, que entretanto rompeu com a igreja. Segundo testemunhou este antigo dirigente da organização de Moon, o avô de Abe (o antigo primeiro-ministro Nobusuke Kishi) era bastante próximo do fundador da seita, e o mesmo aconteceu com o pai de Abe, Shintaro Abe, que foi ministro dos Negócios Estrangeiros.

Moon proclamava uma batalha mística e espiritual contra o comunismo, e em troca recebia dos seus fiéis bens muito terrenos, exortando volumosas doações de dinheiro à sua igreja.  O Japão tornou-se a quarta maior congregação da igreja (terá hoje cerca de 600 mil fiéis no país, segundo os dados oficiais - números considerados exagerados pelos estudiosos da matéria) e o principal mercado financiador da seita, o que permitiu a Moon crescer para outros países, como os Estados Unidos. “As doações feitas no Japão contribuíram muito para que as atividades de Moon por todo o mundo”, confirmou o antigo braço-direito do líder espiritual. 

A Seita Moon tornou-se famosa pelos mega-casamentos simultâneos de milhares de pessoas que não se conhecem e são emparelhadas pela igreja. Grandes casamentos coletivos, em estádios e outros espaços abertos, nos EUA, no Japão ou na Coreia do Sul, corriam mundo nos anos 80 e 90. Foi por essa altura que a organização tentou entrar em Portugal, chamando a atenção de alguma comunicação social para a “Seita Moon”. A receita, em Portugal, também passava pela tentativa de penetração em partidos políticos, mas a missão dos “moonies” (como são chamados no mundo anglo-saxónico) nunca foi bem sucedida em Portugal.

O “reverendo Moon” morreu em 2012, quando teria, segundo a organização, cerca de 3 milhões de seguidores, de acordo com a France Presse. Porém, os especialistas que acompanham a seita acreditam que os números reais serão mais baixos, pois vários escândalos envolvendo o grupo terão afastado centenas de milhares de seguidores. 

Milhares de processos judiciais

Conforme as razões do assassino de Abe foram sendo divulgadas e a comunicação social japonesa perdeu o pudor de tratar o assunto, começaram a chegar a público os relatos de outras vítimas da seita - milhares de japoneses que viram familiares doar tudo o que tinham à organização, em troca de objetos de culto, como bíblias encadernadas em pele, ou de promessas de redenção e um lugar no céu. São as chamadas “vendas espirituais”, com grande sucesso no Japão, que há décadas tem sido a maior fonte de rendimento da seita.

Organizações não governamentais dedicadas a ajudar as vítimas das práticas extorsionistas da igreja foram revelando inúmeros casos de vidas arruinadas, perante a passividade das autoridades nipónicas. Muitos desses casos acabaram em tribunal.Segundo ONG e investigadores deste fenómeno, os seguidores japoneses da Igreja da Unificação já entregaram cerca mil milhões de dólares (valor equivalente em euros). Desde 1987, a organização foi alvo de  35 mil pedidos de indemnização, de acordo com um grupo de advogados que se dedica a ajudar as vítimas.

Na sequência de várias condenações judiciais e de algumas investigações, a igreja comprometeu-se a não solicitar doações excessivas aos seus seguidores. Porém, tudo indica que as práticas abusivas continuaram. O proselitismo também. As táticas de recrutamento de novos membros incluem bater às portas, pressionar os familiares dos membros para que se convertam e abordar pessoas em estações de comboio prometendo a salvação. 

"Moon dizia abertamente que Deus não se importava que mentíssemos [para recrutar membros]”, contou à televisão estatal japonesa Steven Hassan, um norte-americano que desempenhou funções na hierarquia da igreja. Hassan foi membro da organização desde os 19 anos, mas acabou por romper e hoje ajuda membros a libertarem-se das teias da organização. Segundo ele, o fundador dizia-lhe que “se mentires para recrutar alguém, ou para proteger o grupo de processos judiciais ou de má publicidade, está tudo bem”.

Metade do PLD com relações com a seita

As ligações do PLD à Igreja da Unificação também ficaram sob escrutínio, e o que as investigações revelaram foi um polvo político-religioso. Abe nunca foi formalmente membro da Igreja, mas era seu simpatizante e participou em iniciativas públicas da organização (Donald Trump e Durão Barroso também, entre muitas outras figuras de relevo da política mundial, sempre de origens conservadoras).

O primeiro-ministro Kishida também não tem ligações pessoais à igreja, e o partido alegou que eram poucos os seus membros seguidores da organização. Mas um deles era nada menos do que o ministro da Defesa, Nobuo Kishi, irmão de Abe. O governante reconheceu que a Igreja o havia ajudado na sua carreira política, e prometeu numa conferência de imprensa “rever” os laços com a organização - mas a revelação precipitou uma remodelação governamental em que Kishida afastou do Executivo os nomes com elos à seita. Foi uma tentativa de cortar o mal pela raiz e retomar a iniciativa política, conforme o escândalo crescia como uma bola de neve. Mas não resultou. 

A popularidade do primeiro-ministro e do seu governo continuaram a cair a pique, tanto pela insistência de Kishida no funeral de Estado para Abe, como pela revelação de que o PLD está profundamente ligado, a todos os níveis, à Igreja da Unificação.

Uma investigação interna ordenada por Kishida revelou que metade dos deputados do partido são membros desta seita ou têm ligações a ela mesmo que não sejam formais. Ou seja, dos 379 parlamentares do partido conservador, 179 assumiram ter algum tipo de relação, formal ou informal, com a seita. Esses elos vão desde assumirem-se como fiéis, até participarem em eventos organizados pela igreja ou receberem financiamentos. Alguns políticos de partidos da oposição também assumiram elos a este grupo, mas em muito menor quantidade.

Porquê esta permeabilidade do partido mais poderoso do Japão a uma seita sul-coreana mais ou menos obscura? Antes de mais, devido a décadas de ligação ao mais alto nível entre o establishment político nipónico e os dirigentes da seita, desde os tempos da Guerra Fria. Mas também pela coincidência das agendas conservadoras. Quando o medo da ameaça comunista esmoreceu, a igreja e muitos membros do PLD continuaram a partilhar convicções, por exemplo, sobre a necessidade de o Japão reforçar a sua capacidade de defesa face à ameaça da China - a ideia de rever a constituição pacifista do Japão, defendida por Abe e por vários setores do PLD, encaixa-se nessa tendência.

Mais há mais: a consonância entre a seita e os setores mais conservadores do PLD é total em relação à necessidade de proteger o modelo de família tradicional e travar novas organizações familiares. A oposição ao casamento entre pessoas do mesmo sexo e às políticas de identidade sexual e de igualdade de género são pontos importantes nessa agenda comum.

Em agosto, um porta-voz da igreja (cujo nome oficial é agora Federação da Família para a Paz Mundial e Unificação) negou qualquer relação com algum partido japonês em particular, mas reconheceu que “grupos ligados” à seita “têm estado proativamente envolvidos em atividades políticas”. E explicou a razão: “Acreditamos que dando as mãos com os políticos podemos construir um país melhor”. 

Mas tudo se resume a poder, segundo Steven Hassan, o norte-americano que cortou laços com a organização. Segundo o seu relato, Moon disse-lhe: "Podes controlar as pessoas tornando-as dependentes de ti, e isso permite-te ditar-lhes a política".

"No início [a abordagem] era sempre no sentido de ser útil", relata o antigo membro da igreja. “Podemos doar para a sua campanha? Podemos dar-lhe alguns trabalhadores de escritório ou pessoas de campanha, gratuitamente, para ajudar na sua reeleição? A maioria dos políticos...não pensa nos aspetos não éticos disto. E há este efeito de contágio". O relato, coincide com os factos assumidos por dezenas de representantes eleitos do PLD, que reconhecem ter recebido dinheiro, ou o apoio de voluntários da igreja em ações de campanha. A suspeita que permanece é que a organização mobiliza os seus fiéis para votar nestes políticos, em troca da aprovação de legislação que favoreça a agenda dos "moonies".

Kishida pediu desculpa publicamente em nome do PLD, e pediu aos representantes do partido para que cortem relações com a Igreja da Unificação. Hassan considera que é um bom ponto de partida, mas, em entrevista à NHK, defende que é preciso ir mais longe: “a forma de cortar laços com o grupo é que cada político faça uma declaração pública dizendo que se apercebe agora que se trata de uma organização criminosa que faz lavagem cerebral às pessoas, isola as pessoas das suas famílias, e é antidemocrática".

Ásia

Mais Ásia

Patrocinados