Jack Teixeira aceita pena de prisão de 16 anos por revelar informações secretas sobre a guerra na Ucrânia

CNN Portugal , BCE
4 mar, 16:13
Tem apenas 21 anos, o avô era açoriano e é o principal suspeito pela fuga de informação no Pentágono. A história de Jack Teixeira

 

Lusodescendente declarou-se inocente, em junho do ano passado, de seis acusações de retenção e partilha intencionais de informação classificada do Pentágono. Agora, mudou de estratégia, para evitar a pena máxima de 60 anos prevista para casos destes

O lusodescendente Jack Teixeira reconheceu, esta segunda-feira, que causou uma das maiores fugas de informação da defesa dos EUA dos últimos anos e aceitou uma pena de prisão de 16 anos, avança a ABC.

Num tribunal federal, em Boston, o lusodescendente, de 22 anos, declarou-se culpado de seis acusações de uso inapropriado e publicação intencional de informações da defesa nacional norte-americana.

Cada acusação acarreta uma pena máxima de dez anos de prisão. Contudo, nos termos de um acordo judicial, os procuradores disseram que vão pedir 200 meses de prisão - o que Jack Teixeira concordou em não contestar.

No mínimo, segundo a BBC, o jovem lusodescendente vai cumprir 11 anos de prisão e tem de pagar uma multa de cerca de 50 mil dólares.

Como parte do seu acordo de confissão, Jack Teixeira aceitou também ser submetido a um interrogatório junto do Departamento de Defesa e do Departamento de Justiça dos EUA e devolver quaisquer materiais sensíveis que ainda possam estar na sua posse.

O lusodescendente, que tinha 21 anos quando foi detido, declarou-se inocente, em junho do ano passado, de seis acusações de retenção e partilha intencionais de informação classificada do Pentágono, naquela que é já considerada uma das maiores fugas de informação confidencial nos Estados Unidos.

Entre as dezenas de documentos que já vieram a público, e que têm sido exaustivamente analisados pela comunicação social norte-americana, estão informações que vão desde a dificuldade da Ucrânia em lidar com uma quebra de mantimentos até relatos que sugerem que soldados de países da NATO, incluindo os próprios Estados Unidos, estão no terreno a combater. Uma das mais recentes revelações indica que os Estados Unidos temem que o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, esteja "demasiado recetivo" ao Kremlin.

Em paralelo, foram também identificados documentos que sugerem que Washington espia regularmente alguns dos seus aliados - não apenas a Ucrânia mas também Coreia do Sul ou Israel.

Na semana passada, fontes próximas do processo adiantaram ao New York Times que Jack Teixeira planeava declarar-se culpado, depois de a equipa de defesa ter pedido uma nova audiência com base na chamada regra 11, que prevê precisamente uma mudança de fundamento pelo réu. Declarando-se culpado, o jovem lusodescendente enfrenta uma pena inferior à pena máxima de 60 anos prevista para casos destes, adiantava o jornal nova-iorquino.

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