Bebé de 18 meses morre depois de abandonada seis dias em casa. Mãe tinha ido visitar o namorado

25 jul, 13:13
Bebé, berço, criança. Foto: Karen Minasyan/AFP via Getty Images

Alessia Pifferi, de 36 anos, foi acusada de homicídio voluntário agravado premeditado por motivos fúteis

Uma bebé de 18 meses foi deixada sozinha, com um biberão de leite ao lado, ao longo de seis dias, num apartamento em Ponte Lambro, Milão. O corpo de Diana Pifferi foi encontrado, na quarta-feira à noite, no berço, depois de a mãe, Alessia, de 36 anos, ter regressado de Bergamo onde se tinha ido encontrar com o namorado.

Segundo o Corriere della Sera, a mulher foi detida na quinta-feira e acusada de homicídio voluntário agravado premeditado por motivos fúteis.

"Sabia que podia acontecer isto", terá dito. 

O jornal conta ainda que Diana foi encontrada num berço de viagem e, ao seu lado, estava um biberão mas também uma garrafa com ansiolíticos, meio vazia. A mãe ainda a tentou acordar, primeiro atirando-lhe água para a cara, depois fazendo manobras de reanimação, sem sucesso, e acabou por chamar uma vizinha para ajudar. Foi a vizinha que ligou para o 118 (equivalente ao 112 em Portugal). 

À chegada dos médicos, estes constataram que a menina estava morta há pelo menos 24 horas e chamaram a polícia. Apesar de não existirem sinais de violência, Diana apresentava estar severamente desidratada e ter morrido de fome. 

Quando a polícia chegou ao local, a mãe foi de imediato interrogada pelos agentes e pelo procurador Francesco De Tommasi, mas não foram encontradas provas de que esta tivesse problemas com drogas. No entanto, Alessia está a ser alvo de exames para avaliar se sofre de problemas psicológicos. Já a autópsia ao corpo de Diana irá determinar se a criança ingeriu, como as autoridades suspeitam, ansióliticos, uma vez que ao longo de seis dias nenhum vizinho ouviu a criança chorar.

Esta não terá sido a primeira vez que Diana ficou sozinha. Às autoridades, Alessia admitiu que já tinha deixado a filha sozinha noutras ocasiões, nas últimas três semanas, mas nunca mais de três dias, e que nesses casos deixava a criança na cama com um biberão de leite e água.

No entanto, ao contrário do que dizia ao namorado e aos familiares, a menina nunca ficou ao cuidado de nenhuma ama. Na terça-feira, quando chegou junto do namorado, Alessia disse-lhe que Diana estava ao cuidado da irmã, mas na realidade a menina estava sozinha em casa. 

"Tinha medo, mas o futuro com o meu companheiro era mais importante"

Presente em tribunal, Alessia Pifferi viu o juiz de Milão, Fabrizio Filice, confirmar a prisão e a medida de coação, dizendo mesmo que a mãe não tinha como objetivo matar a filha, mas que queria a sua morte. Diana era fruto de uma antiga relação, nunca foi registada pelo pai, e nasceu no chão da casa de banho do ex-companheiro, sendo vista pela mãe como um fardo, não havendo sequer fotos da menina com a mãe, avança a imprensa italiana.

Segundo o Corriere della Sera, Alessia terá afirmado que sentiu "que era crucial não interromper os dias" com o parceiro, que "tinha medo" que a filha morresse, mas que "o futuro" com o namorado "era mais importante".

Fabrizio Filice disse ainda que Pifferi cometeu crimes de tipo violento e repetido e que, por essa razão, deve permanecer detida. O juiz disse ainda que o medo e o orgulho da Alessia não podem ser aceites como justificação para não pedir ajuda à irmã para cuidar de Diana, uma vez que essa ajuda podia ter evitado a morte da criança.

O juiz de investigação criminal referiu ainda que a mulher tem uma relação de dependência psicológica com o atual companheiro, o que a levou a colocar a vida da filha em risco para manter o relacionamento.

Alessia Pifferi

"Estava a contar com a possibilidade de ter um futuro com ele e, de facto, fui tentar entender isso durante esses dias", terá dito a mulher em tribunal, de acordo com o despacho da audiência. Por esse motivo, Alessia terá considerado que "era crucial não interromper esses dias", mesmo tendo "medo de que a criança pudesse ficar muito doente ou morrer".

Alessia contou ainda que discutiu com o namorado e que chegou a pensar que ele a levaria a casa. "Mas quando vi que ele pegou na minha mão e se dirigiu para Leffe (perto de Bergamo, onde vive), percebi que íamos voltar para a casa dele e não disse nada. Nesse ponto, tive medo que a criança morresse, mas por outro lado tive medo das reações - no julgamento negativo da minha irmã e da reação do meu namorado. Quando penso nisso agora, a minha perceção é de que esses dois medos tinham igual força sem que um prevalecesse sobre o outro. Quando o sábado começou, quando mais dias do que o costume começaram a passar, comecei a ficar mesmo com medo que a criança morresse mas, em todo o caso, tive esperança que isso não acontecesse. Este desejo na minha mente, era um pouco como uma espécie de esperança, um pouco como um pensamento de que talvez as coisas que eu tinha deixado com ela fossem suficientes".

Perante as declarações de Alessia, o juiz considerou ainda que a mãe de Diana não tem respeito pela vida humana, que era intolerante perante a filha e que mostrava fadiga pelo seu papel de mãe.

Perante as declarações da mãe, a sua dependência do namorado e a consequência da viagem, o juiz quer colocar Pifferi num sistema de vigilância especial na prisão por acreditar que existe o risco de suicídio.

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