Tomou posse em Israel o parlamento mais à direita da história do país

Agência Lusa , DCT
15 nov, 18:25
Escola em Israel (David Goldman/AP)

Este Parlamento tem apenas 29 mulheres e os seus 23 novos deputados vêm maioritariamente do partido Likud, de Netanyahu, e da aliança de partidos de extrema-direita conhecidos como Sionismo Religioso

O novo Parlamento de Israel, o mais à direita que o país já teve, tomou posse esta terça-feira, depois de quase quatro anos de impasse político e de cinco eleições.

Nas eleições de 1 de novembro, o bloco de direita liderado por Benjamin Netanyahu e o seu partido Likud, e que integra os seus aliados ultraortodoxos e de extrema-direita, alcançou a maioria no parlamento (64 dos 120 deputados).

Em contrapartida, os partidos de esquerda judaica, ativos nas negociações com os palestinianos, sofreram grandes perdas e, assim, o campo do chefe do Governo cessante, Yair Lapid, tem agora 54 deputados.

O 25º Knesset, como é designado o Parlamento israelita, substitui um dos mais diversos da história de Israel, que teve um máximo de 36 mulheres e um pequeno partido islâmico árabe na coligação governamental pela primeira vez na história.

Este Parlamento tem apenas 29 mulheres e os seus 23 novos deputados vêm maioritariamente do partido Likud, de Netanyahu, e da aliança de partidos de extrema-direita conhecidos como Sionismo Religioso.

O Presidente israelita, Isaac Herzog, apelou à unidade nacional no seu discurso, dizendo que os israelitas estão "exaustos dos combates e das suas consequências" e após as cinco eleições legislativas no país.

"Agora, a responsabilidade cabe, acima de tudo, a vós, os representantes eleitos do povo. Responsabilidade de tentar tirar-nos deste vício de conflitos intermináveis", afirmou Herzog.

O chefe de Estado também apelou aos representantes eleitos para salvaguardarem os direitos das minorias israelitas que receiam que a próxima coligação governamental - que se espera seja esmagadoramente masculina, religiosa e de direita - reverta as conquistas do seu antecessor em questões como o ambiente, os direitos das comunidde LGBTQ e o financiamento para a população árabe.

"Há comunidades, e especialmente minorias, que receiam que as suas necessidades não estejam na ordem do dia", alertou o Presidente, apontando que cabe “aos representantes eleitos dar a sua atenção e mantê-los na sua mira também".

Também o primeiro-ministro cessante, no discurso após a tomada de posse dos deputados, defendeu que Israel precisa “que este Parlamento seja um lugar que os israelitas admiram e não um lugar de que tenham vergonha e vergonha dos seus representantes".

O primeiro-ministro indigitado, Netanyahu, está a trabalhar para formar uma coligação de extrema-direita no parlamento, ou Knesset.

Os deputados aplaudiram fortemente quando Netanyahu subiu ao palco para uma foto com outros líderes partidários após a cerimónia de posse.

Conhecido por “Bibi”, Netanyahu já foi primeiro-ministro entre 1996 e 1999, e entre 2009 e 2021 e prometeu "derrubar o Governo na primeira oportunidade” após a sua derrota nas eleições legislativas de março de 2021.

Netanyahu está a ser julgado numa série de casos em que é acusado de fraude, quebra de confiança e aceitação de subornos.

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