Comprar chinês não: segunda empresa mais valiosa do mundo dá novo passo na próxima guerra entre EUA e China

Há 1h e 31min
Nvidia
Nvidia

A ordem é clara, mas no setor já há quem avise que isto pode vir a ameaçar rapidamente o negócio

Politicamente os Estados Unidos e a China parecem estar mais próximos do que alguma vez estiveram em largos anos, mas as reuniões e trocas de elogios entre os dois presidentes não chegam para mascarar a desconfiança que ambos têm, nomeadamente no setor ao qual estão a concorrer para liderar mundialmente.

O último golpe na batalha tecnológica que promete ainda escalar para outros níveis foi dado pela Nvidia, a maior produtora mundial de chips, que é simultaneamente a segunda empresa mais valiosa do mundo, tendo recentemente sido destronada pela Apple.

De acordo com o Financial Times, a empresa norte-americana ordenou aos seus centros de dados parceiros que reduzam a exposição a clientes vindos da China, sendo um dos grandes objetivos limitar a capacidade de Pequim nesta autêntica guerra artificial.

A Nvidia tem estado a informar os seus parceiros, um por um, de que devem passar a comprar pelo menos 51% dos seus serviços a empresas não-chinesas, naquela que é a maior restrição do setor até aqui conhecida.

As instruções foram comunicadas de forma verbal e têm estado a ser lideradas pelas equipas de vendas e regionais da empresa, que tem passado documentos em que deixa claro o seu desígnio.

Na prática, esta decisão significa que as empresas tecnológicas chinesas passam a ter uma nova ameaça às ambições no setor da Inteligência Artificial, que promete marcar os próximos anos de disputa entre os dois países, que estão muito à frente dos modelos que Rússia ou União Europeia vão tentando desenvolver.

Sem acesso aos chips norte-americanos, a indústria tecnológica chinesa pode ver-se, pelo menos temporariamente, limitada na sua capacidade de desenvolvimento, até porque, como explica a publicação britânica, muitas empresas dependem destas trocas para realizarem atividades de Inteligência Artificial, incluindo o treino e desenvolvimento de modelos.

Estas regras vão aplicar-se a todos os clientes da Nvidia, independentemente do ponto do globo, e não apenas aos centros de dados sedeados na Ásia, embora só afetem contratos futuros, pelo que os já existentes estão salvaguardados.

Sem adiantar muito sobre o assunto, a Nvidia confirmou as suas intenções em declarações citadas pelo Financial Times: “A política da América sempre apoiou a construção de infraestrutura americana em todo o mundo, trazendo prosperidade, influência e emprego para casa”.

Para já, o problema parece ser a ausência de oferta suficiente para lá do mercado chinês. O setor admite mesmo que a medida pode “prejudicar” o negócio, caso seja aplicada de forma rígida.

Logotipo do projecto Texto: Premium
Informação em todas as frentes, sem distrações? Navegue sem anúncios e aceda a benefícios exclusivos.
TORNE-SE PREMIUM

Empresas

Mais Empresas

Mais Lidas