Queria ser bailarina mas acabou a dançar no Parlamento. Um outro olhar sobre Inês de Sousa Real

25 fev, 18:00

Foi com a avó, que recebia em casa todos os animais abandonados, que aprendeu a gostar da causa. Hoje afirma que um bom resultado para o PAN é ter um grupo parlamentar

Hoje marcha pelos direitos das pessoas, dos animais e do ambiente, mas noutros tempos sonhou ser bailarina e até chegou a participar em marchas. Inês de Sousa Real desenvolveu com a avó Lucília o sentido de justiça e o gosto por ajudar, que agora tenta colocar em prática como porta-voz do PAN.

Em entrevista a Cristina Ferreira e Cláudio Ramos, no Dois às 10, a candidata revela que sempre gostou de música e de dançar. “Enquanto cozinho e às vezes em reuniões o pezinho vai sempre abanando. Está cá dentro ainda este espírito da dança”, revela, contando que tudo aconteceu de forma espontânea. E acabou a fazer ballet e trampolins durante muitos anos.

Clássica no terreno, é mais eclética na música, mas confessa que Pearl Jam é uma das suas bandas preferidas. “Mesmo antes dos debates, até é uma curiosidade, gosto de ouvir música”, conta, explicando que ouve música “empoderadora”, nomeadamente de artistas como Alicia Keys ou Beyoncé.

“Tudo o que dê energia, empatia, tudo o que seja assim… músicas mais powerful”, continua, dizendo que a pessoa mais “introvertida” fica para trás quando se trata de causas políticas.

Apesar dessa maior timidez, Inês de Sousa Real garante que ninguém terá ficado surpreendido com o seu percurso, ainda que a própria não o imaginasse – “de forma alguma”.

“Nem era ambição. Não era sequer uma aspiração”, prossegue, lembrando que já abraçava a causa animal e que até teve uma galinha como animal de estimação. Era a Pombinha, que vivia nos Anjos no quintal da avó e morreu de velha, mesmo que o animal tenha sido oferecido à família como comida.

“Não fomos capazes. A Pombinha cresceu connosco e viveu sempre feliz no quintal”, conclui.

Cantar no karaoke antes de dizer à família

Foi uma vez, com a prima Rita, que Inês de Sousa Real experimentou o karaoke. Conta que não se saiu nada mal: “Ainda hoje acho que soámos bem”, afirma, confessando que esse não é o entendimento da maioria das pessoas que presenciou o ato.

Música de parte, passou mesmo ao lado foi de uma carreira de bailarina, diz a prima. Deputada, como acabou por ser, “está perfeitamente bem”, mas Rita nunca pensou que fosse acabar dessa forma.

Quando decidiu que queria entrar na política não houve problema. Contou à família – “como é evidente” – e lembra-se que a mãe não achou assim tanta graça. “Pela minha mãe eu não estava na política, não estava com esta exposição”.

São as dores dos pais, diz a porta-voz do PAN, que não se arrepende da decisão que tomou, mesmo que já tenha tido momentos difíceis.

“Eu sei que nem sempre é compreendida esta forma construtiva como nós fazemos política, mas não há nada mais gratificante do que estarmos na Assembleia da República e aprovarmos leis que mudam a vida das pessoas”, refere, recordando as muitas cartas recebidas no correio do Parlamento.

Perdida nos animais da avó

Vem de muito longe a paixão dos animais. Não era só a Pombinha. Em casa da avó também havia o Perdido, um cão com um nome tão invulgar como as suas histórias.

“Uma vez fugiu e houve uns senhores que o encontraram na rua e ele tinha as chapinhas a dizer Perdido. Os senhores viram o número de telefone e, quando lê Perdido… ele estava literalmente perdido”, brinca, falando sobre um cão que estava abandonado e que a avó acolheu, como fez com tantos outros animais.

“Tinha uma coisa maravilhosa. Todos os cães e gatos que encontrávamos a minha avó nunca dizia que não. E aceitava ficar com eles”, acrescenta.

A névoa em Montserrat

Inês de Sousa Real não se esquece. “Estava uma névoa linda” em Montserrat, um dos seus edifícios preferidos. Foi aí que o marido decidiu pedi-la em casamento.

“Tem sido um grande companheiro, um grande amigo”, aponta, dizendo que o marido não fala politicamente, mas identifica-se com as causas da deputada.

O marido não é romântico, confessa Inês de Sousa Real, que há algum tempo não tem surpresas, até porque a política não deixa espaço para isso.

“Eu sou muito sonhadora e, como sou muito sonhadora e muito esperançosa, acredito que nós conseguimos mudar assim o mundo, e portanto tento transpor isso também para a minha vida pessoal e transmitir todo esse sentimento de esperança e de otimismo para as pessoas que me rodeiam", conta.

Para a frente são as eleições e há um objetivo: voltar a ter um grupo parlamentar, como aconteceu em 2019. Nesse cenário "vai ser muito melhor", garante, lembrando que "ninguém gosta de estar sozinha".

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