“A cama é para dormir e fazer sexo”, explica especialista sobre a importância do sono

16 dez 2021, 07:01
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Médico do sono explica que é mais benéfico para a saúde “dormir quatro horas de qualidade do que sete, oito, nove horas de um sono muito fragmentado”

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Há pessoas a dormir mal e são cada vez mais. Segundo dados já divulgados pela CNN Portugal, a pandemia levou a que um em cada quatro portugueses sofram de problemas de sono, um cenário que piorou com a pandemia da covid-19, uma vez que antes dos confinamentos o número de pessoas com dificuldade em dormir era de um em cada seis.

A privação do sono é, por isso, um problema que leva cada vez mais pessoas a procurar ajuda médica. Anselmo Pinto, médico do sono e responsável pela clínica do sono no Porto conta que dormir mal é algo muito complexo e que tem de ser analisado de forma minuciosa. 

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Se tivermos fome de sono, vamos ter sonolência durante todo o dia. No caso de alguns pacientes, a situação é ainda mais grave porque o ciclo repete-se diariamente”, começa por dize. O clínico diz que as pessoas que têm problemas relacionados com o sono têm uma ordem do cérebro para se manterem acordadas. 

“São fatores perpetuantes. Pensam: logo à noite não vão conseguir dormir. Estou mal. Vou ficar pior. Todos estes pensamentos geram um híper alerta. E a pessoa não dorme”, explica. 

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Dormir mal, pouco ou quase nada provoca uma série de respostas anormais: cansaço; dificuldade principal em memória; dificuldade em concentração; diminuição da libido; dificuldade em manter um humor estável. “São pessoas que ficam extremamente irritáveis, nervosas, ansiosas, deprimidas”, diz o médico, adiantando outros múltiplos fatores que contribuem para agravar o problema: automedicações; medicações erradas; maus hábitos. 

“A cama é para dormir e fazer sexo”

Anselmo Pinto afirma que para os doentes a ida para a cama é sinónimo de mal-estar e por isso deixa o conselho: “Se não tiver sono, levante-se. A cama é para dormir e para fazer sexo. Há pacientes que dizem que não dormem há cinco dias. Isto é das torturas mais eficazes, a da privação de sono”, revela.

O clínico explica também que o que acontece por vezes é que nem sempre as pessoas têm noção real do que dormiram porque há duas fases do sono: a REM e a não REM. A primeira é a responsável por fixar as memórias e processar as experiências e os conhecimentos que foram adquiridos durante o dia, correspondendo ao sono mais profundo.

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O especialista garante também que há uma perceção paradoxal do sono que ainda é muito frequente.

“Nem todos precisam de dormir oito horas. Dormir mais de oito a nove horas é prejudicial. Dormir menos que quatro a cinco também o é. A maior parte das pessoas precisa de dormir diariamente oito horas e qualquer coisa”, diz o clínico, explicando que é preferível “dormir quatro horas de qualidade do que dez horas ou mesmo do que dormir sete, oito, nove horas de um sono muito fragmentado."

Anselmo Pinto reforça ainda que, apesar da crescente preocupação com uma boa higiene do sono, este fator da saúde nem sempre é valorizado por parte das outras especialidades.

“Não há nenhuma patologia que não influencie o sono e que o sono não influencie essa patologia. Seja no ramo da psicologia, da dermatologia, da neurologia. Tem de se tornar hábito para os médicos perguntar como é que os doentes dormem”, sugere, avançando de seguida que quase todos os problemas do foro psíquico padecem de perturbações do sono. 

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“As pessoas mais deprimidas, ansiosas, ao fim do dia estão mais despertas, mais preocupadas. O relógio interno é influenciado”, conta. O médico diz, no entanto, que se deve ter cuidado com “rótulos e medicações”, porque muitas vezes é possível tratar problemas sem recurso a fármacos.

Sobre o impacto da pandemia nos seus doentes, o especialista do sono diz que que é normal as pessoas terem ficado mais ansiosas e preocupadas, mas por vezes também mais impacientes. 

 “Passámos mais tempo em casa, mais tempo com quem vivemos. Deixámos de conviver, de nos relacionar, a pandemia não foi só o vírus. foi todo o contexto, que também afeta o sono”, lembra.

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