Número de mortos dos incêndios do Havai continua a aumentar: são já 96

CNN Portugal , PP (atualizado às 09:48)
13 ago 2023, 09:58

Lahaina é hoje uma cidade destruída pelas chamas. O fogo deixou a cidade em cinzas. E nenhuma das 80 sirenes de alerta para tsunamis e desastres naturais de Maui tocou. Pelo menos oito lusodescendentes estão desaparecidos nos incêndios do Havai. Vivem em Lahaina, a cidade antiga de Maui, e estão incontactáveis, segundo fonte da comunidade portuguesa

O número de vítimas mortais devido aos incêndios no Havai subiu, este domingo, para 96 e este não deverá ser o valor final do dia. O aviso foi deixado pelo governador do Havai Josh Green numa conferência de imprensa, escreve a Reuters.

Neste momento, cães treinados para detetar cadáveres estão no terreno e ainda só percorreram 3% da área de busca, assumiu o chefe da polícia John Pelletier.

O governador do Havai, Josh Green, referiu também que os incêndios são já a "maior catástrofe natural que o Havai alguma vez viveu" e que "se olharmos para o que se viu agora em West Maui, 2.200 estruturas foram destruídas ou danificadas, 86% são residenciais”, frisou.

Com 12 mil habitantes, Lahaina é hoje uma cidade destruída pelas chamas. O fogo deixou a cidade em cinzas. 

Ainda de acordo com as autoridades do condado de Maui, cerca de 1.418 pessoas foram levadas para abrigos.

Os fogos são os mais mortíferos e destruidores dos desastres ocorridos no Havai, desde o tsunami de 1960, que causou a morte a 61 pessoas.

Estes incêndios são mesmo os mais mortais nos EUA desde o de 2018, em Camp Fire, no Estado da Califórnia, que provocou 85 mortos e reduziu a cinzas a cidade de Paradise.

Os riscos da cidade de Lahaina quanto a incêndios eram conhecidos. O plano de mitigação do condado de Maui, atualizado em 2020, identificou Lahaina e outras comunidades na parte ocidental de Maui como tendo frequentes incêndios e um grande número de edifícios em risco de sofrerem estragos pelos fogos.

Numa primeira estimativa, crê-se que serão necessários 5,5 mil milhões de euros para reconstruir a cidade de Lahaina.

Nenhuma das 80 sirenes de Maui funcionou

"O nosso alerta foi uma nuvem gigante de fumo preto", afirma Cole Millington, residente de Lahaina, à CNN Internacional. Já estava ao colante da sua carrinha, com o cão ao lado e um saco de roupa, quando recebeu um alerta no telemóvel. "Isso não era uma ordem de evacuação para nós", explica.

Na verdade, a mensagem "foi inútil", confessa o dono de uma empresa na cidade histórica agora reduzida a cinzas. À CNN Internacional desabafa o seu desalento pelo serviço de sirenes, 80 só em Maui, não ter funcionado: "Temos alertas para tsunamis e deviam ter sido usados. Muitos sentimos que não houve nenhuma alerta das autoridades".

O Havai tem o maior sistema de alerta do mundo, 400 alarmes ao todo. Um sistema que não foi acionado durante os incêndios, confirmou Adam Weintraub, porta-voz da Agência de Emergência do Havai, escreve a CNN.

No Maui, a segunda maior ilha do arquipélago, existem 80 sirenes que alertam os habitantes para tsunamis e outros desastres naturais. Mas os alarmes ficaram mudos enquanto as pessoas fugiam para salvar a vida.

Oito lusodescentes desaparecidos

Pelo menos oito lusodescendentes estão desaparecidos nos incêndios do Havai. Vivem em Lahaina, a cidade antiga de Maui, e estão incontactáveis, segundo fonte da comunidade portuguesa.

Segundo informação do Ministério dos Negócios Estrangeiros à CNN Portugal, há cerca de 30 cidadãos nacionais, inscritos no Consulado Geral de São Francisco, com residência no Havai. A comunidade portuguesa, com dupla nacionalidade, estima-se em cerca de 200. Não há, no entanto, pedidos de apoio. Na lista de desaparecidos, já divulgada, há nomes portugueses de famílias lusodescendentes que não são cidadãos nacionais.

A comunidade com herança portuguesa, estimada em cerca de 100 mil pessoas, são descendentes da vaga migratória do final do século XIX e não têm nacionalidade portuguesa. Serão pelo menos 140 mil os descendentes dos mais de 15 mil açorianos e madeirenses que aqui chegaram entre o final do século XIX e o início do século XX para trabalhar nas plantações de açúcar.  

O Ministério dos Negócios Estrangeiros português e o cônsul-honorário já confirmaram que há lusodescendentes que ninguém consegue contactar, apesar dos esforços. 

“Ainda não há serviço telefónico. Mas há internet e mensagens, há alguns membros da comunidade portuguesa lusodescendentes que ainda estão desaparecidos. A comunidade está a tentar contactá-los", disse Tyler dos Santos, cônsul honorário de Portugal, em declarações à Antena 1.
O Governo português está a acompanhar aquilo que se passa no Havai e aguarda que a administração norte-americana publique a lista de vítimas mortais.

Uma associação de descendentes de portugueses não consegue falar com oito residentes de Lahaina. “Temos oito membros que vivem em Lahaina. E não sabemos o que lhes aconteceu. Não sabemos se estão a salvo, não sabemos se estão num abrigo", indicou Audrey Rocha, da Associação de Portugueses no Havai, à Renascença.

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