A praça dos Restauradores, em Lisboa, foi palco de uma vigília convocada pelo movimento Mães pela Acampada, criado na sequência das cargas policiais contra manifestantes no Porto e na capital. Durante quase uma hora, os participantes permaneceram em silêncio para denunciar a atuação da PSP e defender o direito ao protesto pacífico
Cerca de 200 pessoas estiveram este sábado quase uma hora em silêncio sentadas no chão na praça dos Restauradores, no centro de Lisboa, em protesto contra a violência policial.
A vigília foi marcada pelo movimento Mães pela Acampada, surgido na sequência das acampadas pela habitação e das intervenções da polícia para dispersar os manifestantes no Porto e em Lisboa, e pretendeu alertar que "com violência nada se faz", como explicou à agência Lusa uma das mães organizadoras.
Com alguns cartazes e pequenas tendas em papel no chão com a frase "Teto para toda a gente", os participantes foram acompanhados por um coro, composto por membros de vários grupos corais.
O grupo, constituído nomeadamente por famílias, permaneceu de forma ordeira na praça e foi acompanhado à distancia pela polícia, sendo visíveis seis viaturas.
Os atuais protestos contra a crise na habitação tiveram início no Porto a 10 de outubro e expandiram-se a Lisboa, mas já motivaram também concentrações noutras cidades.
A intervenção da PSP para dispersar as acampadas e retirar as tendas no Rossio, em Lisboa, e na Praça D. João I, no Porto, culminou em cargas policiais que provocaram dezenas de feridos e a abertura de um processo da Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI) à atuação da polícia.
O grupo Mães pela Acampada surgiu na sequência das cargas policiais, formado principalmente por mães e familiares de jovens manifestantes, procurando garantir o respeito pelo direito fundamental ao protesto pacífico e à manifestação.
Os manifestantes exigem, entre outras coisas, a reversão da nova lei do arrendamento, um travão à aquisição de habitação por parte dos fundos imobiliários e tetos "verdadeiramente acessíveis" à renda.