Zircon, o míssil hipersónico que Putin considera invencível

1 jun, 18:00
Zircon

Pode atingir até nove vezes a velocidade do som e a Rússia garante que é impossível intercetá-lo

A Rússia anunciou esta quarta-feira que completou os testes do míssil de cruzeiro hipersónico Zircon e que vai começar a usá-lo ainda antes do final do ano.

Segundo noticia a Reuters, o comandante da Frota do Norte, Alexander Moiseyev, disse mesmo que a fragata Almirante Golovko tornar-se-á na primeira a ser armada com o Zircon.

O presidente russo, Vladimir Putin, que se congratula com o sucesso dos testes, descreveu o Zircon como parte de uma nova geração de sistemas de armas "incomparáveis", que aumentarão significativamente a capacidade das forças armadas da Rússia.

Mas, afinal, do que é capaz este supermíssil?

Mais veloz e mais destruidor

O Zircon é um dos vários mísseis em desenvolvimento na Rússia e destina-se a armar navios e submarinos da frota russa. Também conhecido por 3M22, este é um míssil de cruzeiro, ou seja, projetado para percorrer longas distâncias. Mas não só, o Zircon é também hipersónico. 

As armas hipersónicas podem ultrapassar a velocidade do som e os testes revelaram que o Zircon é capaz de atingir uma velocidade de cerca de 9 Mach (ou seja, nove vezes a velocidade do som) para um alcance de mais de mil quilómetros e uma altitude de 30-40 km, onde a resistência do ar é baixa e a velocidade pode ser maior. 

Segundo as informações divulgadas, o Zircon voa significativamente mais rápido que outros mísseis antinavio russos e dos que estão atualmente ao serviço de outros países - que enfrentam agora uma dupla ameaça: este míssil pode ser usado tanto contra navios inimigos, como em alvos terrestres. Aliás, as autoridades russas já se gabaram das capacidades do Zircon, garantindo que é impossível intercetá-lo com os sistemas antimísseis existentes.

Putin, que advertiu por várias vezes o Ocidente contra a interferência na Ucrânia, alertou no passado que os navios de guerra armados com este míssil dariam à Rússia a capacidade de atacar “centros de tomada de decisão” em minutos se implantados em águas neutras.

O primeiro lançamento oficial de um Zircon aconteceu em outubro de 2020, com Vladimir Putin a saudá-lo como um "grande evento". Desde então, realizaram-se outros testes a partir de uma fragata e de um submarino.

Alvo a mil quilómetros "visado com sucesso"

Num dos testes, o Zircon foi disparado da fragata Almirante Gorshkov, no Mar de Barents, contra um alvo nas águas do Mar Branco, segundo informações avançadas pelo Ministério da Defesa russo, divulgadas pela agência de notícias France Presse (AFP).

O alvo, localizado a cerca de mil quilómetros de distância, foi "visado com sucesso" e o lançamento fez parte do plano de "ensaio de novas armas" da Rússia, acrescentou o ministério. 

Apesar de as forças armadas da Rússia estarem a sofrer pesadas perdas de soldados e equipamentos na guerra, continuam a realizar testes de armas de alto calibre. No mês passado, por exemplo, foi testado o lançamento de um novo míssil intercontinental com capacidade nuclear, o Sarmat, capaz de transportar dez ou mais ogivas e atingir os Estados Unidos.

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