Putin tem mesmo um míssil “sem paralelo no mundo”? “Esta afirmação não pode ser levada muito a sério”

20 abr, 22:00
Teste do míssil balístico intercontinental russo Sarmat (AP)

Líder russo celebrou efusivamente o teste do novo míssil balístico intercontinental Sarmat. Pelo meio, mandou vários recados para o Ocidente

Esta quarta-feira ficou marcada pelo ensaio do míssil balístico intercontinental Sarmat, lançado pela Rússia no cosmódromo de Plesetsk. O Pentágono desvalorizou, garantindo que este era um “teste de rotina” e revelando mesmo que a Rússia notificou os EUA acerca do mesmo.

Contudo, do lado russo, houve grande rejubilo. O Ministério da Defesa do país, através do seu porta-voz Igor Konashenkov, afirmou que "todos os objetivos do teste foram atingidos" e que as "especificações de performance programadas foram confirmadas ao longo de todas as fases do voo".

“As ogivas de treino aterraram numa determinada área no campo de treino de Kura, na península de Kamchatka”, garantiu o porta-voz, citado pela Interfax.

O mais alegre era Vladimir Putin, que afirmou que o Sarmat iria fazer os adversários da Rússia “pensar duas vezes” antes de tomarem alguma ação hostil contra o seu país.

"O novo complexo tem as mais elevadas características táticas e técnicas e é capaz de superar todos os meios modernos de defesa antimísseis”, celebrou o presidente russo, citado pela Tass.

“São palavras de um líder que pensa que pode ameaçar tudo e todos”

Em declarações à CNN Portugal, o general Leonel de Carvalho afirma que estas declarações ameaçadoras “estão em linha” com a atuação do líder russo ao longo dos últimos anos.

“São declarações que estão em linha com o modo como Putin se dirige à comunidade internacional. São um misto de ameaça e demonstração de poder”, considera o general.

Questionado sobre que mensagem pretende a Rússia transmitir com um ensaio em tempo de guerra contra a Ucrânia, Leonel de Carvalho considera que “pode ser um sinal” para o Ocidente.

“São palavras de um líder que pensa que pode ameaçar tudo e todos e dizer, de certa maneira, ‘ou vocês acabam de apoiar a Ucrânia, ou nós somos capazes de fazer muito mal’ (…) é um tipo de conversa que mostra que o sr. Putin pensa que ninguém o para”, afirmou.

O presidente russo disse também que o Sarmat “não tem paralelo no mundo e não terá por muito tempo”, algo que o general ouvido pela CNN Portugal desconfia.

“Nós sabemos que este tipo de tecnologia, quando aparece num país, rapidamente outra grande potência também a consegue ter, ou já tem e mantém em segredo. Esta afirmação não pode ser levada muito a sério. Se ele tem, os Estados Unidos com certeza que não estão muito longe de a ter. E quem diz Estados Unidos, diz a China também”, assegura o general Leonel de Carvalho.

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