Von der Leyen apela à poupança de gás. “Pedimos aos Estados-membros que reduzam em 15% o consumo"

Agência Lusa , FMC
20 jul, 13:09
Ursula Von der Leyen (Olivier Hoslet, Pool Photo via AP)

Presidente da Comissão Europeia defende a criação de uma “rede de segurança” perante a rutura do gás russo, como instrumento de emergência para garantir aprovisionamento e redução da utilização

A Comissão Europeia propôs esta quarta-feira uma meta para redução do consumo de gás na União Europeia (UE) de 15% até à primavera, quando se teme corte no fornecimento russo, admitindo avançar com redução obrigatória da procura.

Num pacote esta quarta-feira publicado sobre “poupar gás para um inverno seguro”, o executivo comunitário aponta que “a UE enfrenta o risco de novos cortes no fornecimento de gás da Rússia, com quase metade dos Estados-membros já afetados por entregas reduzidas”.

“Tomar medidas agora pode reduzir tanto o risco como os custos para a Europa em caso de maior ou total perturbação, reforçando a resiliência energética europeia e, por conseguinte, a Comissão propõe esta quarta-feria um novo instrumento legislativo e um Plano Europeu de Redução da Procura de Gás, para reduzir a utilização de gás na Europa em 15% até à próxima primavera”, anuncia a instituição.

Apontando que “todos os consumidores, administrações públicas, famílias, proprietários de edifícios públicos, fornecedores de energia e indústria podem e devem tomar medidas para poupar gás”, a Comissão Europeia vinca que irá, também, “acelerar o trabalho de diversificação da oferta, incluindo a compra conjunta de gás para reforçar a possibilidade da UE de obter fornecimentos alternativos de gás”.

Von der Leyen quer “rede de segurança”

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, defendeu hoje a criação, na União Europeia, de uma “rede de segurança” perante a rutura do gás russo, como instrumento de emergência para garantir aprovisionamento e redução da utilização.

“Assumindo que há uma rutura total do gás russo, precisamos de poupar gás para encher rapidamente o nosso depósito e, para o fazer, temos de reduzir o nosso consumo de gás. Sei que isto é um grande pedido para toda a UE, mas é necessário proteger-nos e é por isso que propomos um instrumento de emergência, com base no artigo 122.º [dos tratados] com dois objetivos, um é que cada Estado-membro deve reduzir a utilização de gás e o nosso segundo objetivo é proporcionar uma rede de segurança para todos os Estados-membros”, declarou.

Depois da apresentação do pacote da Comissão Europeia, a líder do executivo comunitário apontou que, no caso de uma rutura total no fornecimento russo, caberá a Bruxelas “desencadear um alerta global para a UE”.

“Pedimos aos Estados-membros que reduzam em 15% o consumo de gás, […] o equivalente a 45 mil milhões de metros cúbicos de redução de gás”, por permitir um “armazenamento em segurança durante o inverno”, apontou Ursula von der Leyen.

“O lema é que, quanto mais rápido atuamos, mais poupamos e mais seguros estamos”, concluiu.

Está previsto que a Comissão Europeia possa declarar uma situação de emergência perante um eventual corte do fornecimento de gás russo, com o racionamento e a redução do fluxo a serem medidas de último recurso.

Em Portugal, o gás russo representou, em 2021, menos de 10% do total importado.

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