“Se a Rússia sentir fraqueza, as consequências serão muito piores”. Dmytro Kuleba e a "armadilha” de Putin

Agência Lusa , NM
18 jul, 15:09

Dmytro Kuleba, ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano, apela aos homólogos da União Europeia para "não recuarem" nas sanções

O chefe da diplomacia da Ucrânia, Dmytro Kuleba, apelou esta segunda-feira aos homólogos da União Europeia (UE) para não cederem a Vladimir Putin nas sanções contra a Rússia, pois "submeter-se às exigências" do Presidente russo seria "uma armadilha”.

“O verdadeiro objetivo de Putin é a pauperização da Europa. Quer virar a opinião pública contra os governos em funções, na esperança de os substituir por forças radicais que seriam mais favoráveis à Rússia”, advertiu numa mensagem dirigida aos seus homólogos reunidos em Bruxelas.

O primeiro-ministro húngaro Viktor Orbán criticou na sexta-feira as sanções impostas pela União Europeia (UE) à Rússia, que disse serem “um erro” por “não atingirem o seu objetivo” e asfixiarem a economia europeia.

Segundo Kuleba, o plano de Putin "não é apenas destruir" a Ucrânia, "mas arrastar toda a Europa para a crise".

"Podem desde já verificar como [Putin] utiliza a mais pequena dependência da Europa face à Rússia para atingir os seus objetivos”, afirmou o ministro ucraniano.

“Se a Rússia sentir agora fraqueza, as consequências serão muito piores face às que verificamos atualmente”, considerou.

"É uma armadilha”, avisa Kuleba

Segundo o chefe da diplomacia ucraniana, “recuar e submeter-se às exigências [da Rússia] não funcionará" e "é uma armadilha”.

Em Bruxelas, os ministros europeus manifestarem esta segunda-feira a intenção de prosseguir o apoio económico, político e militar à Ucrânia.

Na reunião foram examinadas novas medidas de sanções apresentadas na sexta-feira pela Comissão Europeia, incluindo um embargo ao ouro russo.

A Rússia lançou em 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia que já matou mais de cinco mil civis, segundo a ONU, que alerta para a probabilidade de o número real ser muito maior.

A ofensiva militar russa causou a fuga de mais de 16 milhões de pessoas, das quais mais de 5,7 milhões para fora do país, de acordo com os mais recentes dados da ONU.

Também segundo as Nações Unidas, 15,7 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária na Ucrânia.

A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas e políticas a Moscovo.

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