Rússia diz que vai "reduzir radicalmente" atividade militar em Kiev e Chernihiv - e encontro entre Putin e Zelensky é mais provável

29 mar, 13:24

Ucrânia já apresentou a sua proposta final à Rússia sobre o que entende por neutralidade e aguarda agora uma resposta

O vice-ministro russo da Defesa, Alexander Fomin, anunciou hoje que as tropas russas vão "reduzir radicalmente" as atividades militares em Kiev e Chernihiv, na sequência das negociações de paz.

Fomin pediu também à Ucrânia para cumprir as Convenções de Genebra sobre prisioneiros de guerra.

Entretanto, a Ucrânia já apresentou a sua proposta final à Rússia sobre o que entende por neutralidade e aguarda agora uma resposta, segundo indicou um dos negociadores, o conselheiro presidencial Mykhailo Podolak, que falou aos jornalistas no final do encontro, que decorreu em Istambul.

De acordo com a fonte ucraniana, se as garantias de segurança funcionarem, Kiev aceita o estatuto neutral. Este estatuto obrigará a que a Ucrânia não adira à NATO ou outras alianças militares e que não haja bases militares estrangeiras no país.

Kiev diz que para haver um acordo final com a Rússia tem de haver paz em toda a Ucrânia e ainda que os termos do acordo com Moscovo vão estar sujeitos a referendo.

A situação na Crimeia não foi excluída, com a Ucrânia a propor consultas com a Rússia sobre o estatuto da região, que foi anexada por Moscovo em 2014, durante os próximos 15 anos.

Quanto às garantias de segurança, além da Turquia ser apontada como o principal aliado neste capítulo, também Israel, Polónia e Canadá podem estar entre os países que assegurarão as condições necessárias de segurança ao abrigo de um novo sistema.

A Ucrânia adiantou ainda que houve desenvolvimentos suficientes para que Volodymyr Zelensky e Vladimir Putin se possam reunir presencialmente.

O negociador e alto responsável do Kremlin, Vladimir Medinsky, confirmou que as conversações foram construtivas, que vão agora olhar para as propostas ucranianas e apresentá-las a Putin.

No entanto, para que os dois presidentes se encontrem será necessário um acordo assinado entre os ministros dos Negócios Estrangeiros Sergei Lavrov e Dmytro Kuleba.

Negociações também serviram para aumentar hipótese de encontro entre Putin e Zelensky

O conselheiro presidencial ucraniano, Mykhailo Podolyak, garantiu que as negociações desta terça-feira também serviram para avançar num possível encontro direto entre Putin e Zelensky.

“Agora, temos documentos preparados que vão permitir que os presidentes se reúnam, numa base bilateral”, disse, citado pela CNN Internacional, acrescentando que “é possível” que esse encontro se realize.

O mesmo responsável afirmou que as conversações entre as duas partes vão “continuar online”, 24 horas por dia e 7 dias por semana.

“A delegação russa é construtiva e consciente. Isto não significa que as negociações sejam fáceis. São muito difíceis. Mas o lado russo está a prestar atenção às nossas propostas”, completou.

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