Putin “tem uma crença quase messiânica em si próprio” e "não gosta de críticas, particularmente de mulheres", afirma Hillary Clinton

3 jun, 11:25
Hillary Clinton foi derrotada por Donald Trump nas eleições de 8 de novembro

Antiga secretária de Estado americana lidou durante quatro anos com o presidente russo

Vladimir Putin vive com a crença de que está destinado a restaurar a Rússia imperial e não gosta de críticos, particularmente quando são mulheres. Quem o diz é Hillary Clinton, antiga secretária de Estado norte-americana, entre 2009 e 2013, que lidou com o presidente russo durante o seu tempo como primeiro-ministro e no seu regresso à presidência, em 2012.

A falar no Hay Festival, evento que o seu marido Bill Clinton outrora descreveu como “Woodstock para a mente”, a antiga candidata presidencial do partido republicano disse ter presenciado em Putin uma “crença quase messiânica em si própria” e uma atitude de que “estava destinado a restaurar a Rússia imperial”. 

Esses encontros fizeram com que a então secretária de Estado redigisse vários documentos onde alertava para a ameaça que Putin representava “para a Europa e para o resto do mundo”, embora admita que manteve sempre a fé de que as relações amigáveis entre os EUA e a Rússia fizessem com que o presidente russo colocasse “as suas ambições agressivas na prateleira” e procurasse um futuro de maior cooperação. 

Clinton recorda que até chegaram a existir “desenvolvimentos positivos” durante o tempo em que trabalhou com Putin, entre 2009 e 2013, mas que esses esforços foram deitados por terra quando a antiga primeira-dama expressou publicamente a suas dúvidas em relação à integridade das eleições que voltaram a trazer Putin para o poder, em 2012, apelidando o ato eleitoral de “descaradamente corrupto”.

“Putin não gosta de críticas, particularmente de mulheres. Putin tornou a sua relação muito adversarial em relação a mim, com poucas exceções. Como sabemos, apesar dos esforços para dizer o contrário, ele trabalhou para que Trump fosse eleito por todos os meios”, disse Clinton, que acrescentou que, caso Trump tivesse sido reeleito, os Estados Unidos provavelmente teriam saído da NATO.

Hillary Clinton reagiu também à invasão russa da Ucrânia, não se mostrando muito surpreendida com a decisão do presidente Putin. Porém, insiste que a resposta ucraniana, particularmente por parte do governo de Volodymyr Zelensky, foi uma agradável surpresa. 

“Quando ele invadiu a Ucrânia, infelizmente não fiquei muito surpreendida. Fiquei agradavelmente surpreendida com a eficácia do governo de Zelensky e da Ucrânia de se defenderem”, revelou.

Hillary Clinton acredita que cabe agora à NATO continuar a fornecer armamento à Ucrânia para que estes consigam continuar a resistir e recuperar território. A guerra, sublinha, confirmou que existe a “necessidade de manter as instituições que temos e tentar fazer delas mais eficazes para o futuro”. 

Além disso, Clinton sugere a criação de um tribunal semelhante ao que foi criado depois da guerra dos Balcãs e do genocídio no Ruanda, de forma a levar à justiça os indivíduos russos que cometeram crimes de guerra na Ucrânia. No entanto, admite que a tarefa é quase impossível se em causa estiver o julgamento do chefe de Estado.

Questionada sobre se seria possível fazer algo semelhante para o Reino Unido e o para os Estados Unidos em relação à guerra do Iraque, a antiga secretária de Estado explica que “é possível”, mas tal seria “mais difícil do que as pessoas possam imaginar”.

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