"Muitos exércitos não estão prontos para combater a Rússia". Na NATO há quem tema não resistir a uma invasão para lá da Ucrânia

29 jan, 12:06
Tropas franceses em exercícios da NATO na Estónia (Getty)

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“Se alguém pensa que isto é apenas sobre a Ucrânia, está redondamente enganado”. O aviso foi feito pelo presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, no Fórum Económico Mundial, em Davos.

O objetivo do presidente ucraniano não é novo: a ideia é continuar a pressionar o Ocidente, nomeadamente os Estados Unidos, para a continuação do apoio financeiro e militar a Kiev, numa altura em que o Congresso mantém um impasse na aprovação de mais ajuda.

E se a situação está complicada com a gestão de Joe Biden, nos bastidores teme-se que uma eventual eleição de Donald Trump só venha piorar tudo. É que o ex-presidente e provável candidato do Partido Republicano já disse, por várias vezes, que quer sair da NATO e deixar de ajudar militarmente os aliados do Ocidente.

Se isso se estender à Ucrânia, dificilmente Kiev conseguirá resistir aos avanços de Moscovo, sendo possível que, mais ano menos ano, venha a cair.

Esse cenário deixa vários países europeus em sobressalto, e muitos deles com medo de não conseguirem resistir a uma possível investida russa para lá da Ucrânia, sobretudo se os Estados Unidos não estiverem disponíveis para dar apoio.

“Sempre pensámos que existia uma ameaça destas”, afirmou o major-general Veiko-Vello Pal, comandante do exército da Estónia, falando ao The New York Times sobre uma possível invasão russa.

Só que o problema não é apenas a possível ausência de ajuda norte-americana. O responsável estoniano, um dos países da antiga União Soviética, e que faz fronteira com a Rússia atual, só veio dar eco ao que o país vem dizendo há muito tempo.

É que, pela sua condição geográfica, a Estónia é dos países mais vulneráveis. Por isso mesmo é também daqueles que mais tem contribuído para a NATO, tendo um dos maiores exércitos em termos de proporções, mas nunca chegará para defender o país de uma potência como a Rússia.

O problema é, Segundo Veiko-Vello Palm, que muitos outros países também não têm essa capacidade. “Nos últimos deixámos muito, muito claro que, como uma aliança militar, muitos países da NATO não estão prontos para conduzir operações em larga escala”, disse.

“Falando de forma simples, muitos exércitos da NATO não estão prontos para combater a Rússia”, concluiu, assumindo um grande desconforto com a situação.

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