Guterres diz em entrevista a agência russa que são as superpotências como a Rússia que causam os maiores problemas à ONU

3 jul, 12:18
António Guterres (Amr Nabil/AP)

Secretário-geral da ONU tentou responsabilizar países como a Rússia pela garantia de paz no mundo

António Guterres deu uma entrevista à agência russa TASS, onde admitiu não estar “satisfeito com aquilo que tem sido feito nas Nações Unidas”, especialmente relativamente à procura da paz mundial. “Evidentemente, uma das razões para isso são as diferenças geopolíticas e o equilíbrio de poderes, que é menos claro do que antes”. No entanto, garante, “temos de fazer muito melhor na questão da prevenção de conflitos, e depois podemos fazer muito mais após a sua resolução”.

Numa entrevista onde elegeu o ex-secretário-geral Kofi Annan como o antecessor com mais impacto no seu legado, Guterres destacou como prioridades a criação de condições económicas e sociais, na área dos direitos humanos, “de forma a garantir a manutenção da paz alcançada”.

Sem se referir diretamente ao que está a acontecer na Ucrânia, António Guterres sublinhou que a Rússia, como a União Soviética antes, é "um país grande e uma superpotência", pelo que também deve ter alguma responsabilidade acrescida. "Deve ser dito que os problemas que a ONU costuma enfrentar surgem por causa de superpotências", afirmou, pedindo um diálogo "aberto e honesto" em todas as relações.

No entanto, aponta, “infelizmente”, “verificamos que em muitas partes do mundo é difícil não só resolver os conflitos, mas também criar condições para garantir a justiça, a igualdade e o bem-estar das pessoas, de modo a que a paz seja sustentável”. 

Entre os desafios que vê como atingíveis durante o seu mandato ao leme das Nações Unidas, o ex-primeiro-ministro refere que “há a possibilidade de se chegar a um consenso” relativamente à inclusão de um país africano no grupo de membros permanentes no Conselho de Segurança da ONU, composto pela Rússia, a França, o Reino Unido, a China e os Estados Unidos. 

“Dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança, três são europeus”, evidencia, salientando que “não há um único membro permanente de África no Conselho de Segurança”. “É claro que será muito difícil mudar esta situação, mas temos de começar com algo em que se possa chegar a um consenso”. 

E hoje, aponta, “com base no que ouço dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança, creio que é possível chegar a um consenso”. Após este primeiro passo, destaca, “deveria também haver mais países em desenvolvimento no Conselho de Segurança, o que significa alargá-lo”.

Ainda relativamente ao Conselho de Segurança da ONU, Guterres sublinha que o mecanismo do veto tem de ser melhorado, tal como o esquema de trabalho do próprio organismo. “É importante melhorar a eficácia e a legitimidade do Conselho de Segurança, porque a ONU no seu conjunto, enquanto organização, paga um preço elevado quando o Conselho de Segurança não consegue resolver um problema”.

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