EXCLUSIVO Ucrânia partilha com a CNN imagens inéditas do ataque à ponte de Kerch (e promete mais "operações interessantes")

16 ago 2023, 12:06

Ataque à ponte foi realizado pelo "Sea Baby". Mas o que é o "Sea Baby"?

O Serviço de Segurança Ucraniano (SBU) partilhou com a CNN imagens inéditas do momento em que um drone marítimo ucraniano atingiu em julho a ponte de Kerch, que liga a Rússia à península da Crimeia. Esta é a primeira vez que a Ucrânia admite o envolvimento nesta operação, que vitimou dois civis de acordo com fontes oficiais russas.

Nas imagens partilhadas é possível ver de diversos ângulos o momento em que a ponte é atingida por uma explosão de grandes dimensões. É possível observar a perspetiva do piloto do drone ucraniano, que navegava com acesso a várias câmaras a bordo. Nesse vídeo é possível ver a proa da embarcação e o alvo do ataque, um imponente pilar de betão armado que desaparece do feed quando o drone atinge a ponte.

Entre os vídeos partilhados com a CNN estão imagens das câmaras de vigilância russas que monitorizam o movimento na ponte. Aqui é possível ver duas explosões diferentes. Numa das imagens o ataque atinge a plataforma de estrada da ponte, num outro vídeo é possível ver a secção de transporte ferroviário ser atacada pouco depois da primeira explosão. Segundo os especialistas, isto pode indicar que os serviços secretos ucranianos estão a conseguir ter acesso a informação dos círculos internos russos.

“Parece-me um trabalho de hackers. Estes sistemas [de monitorização] não são infalíveis. O ataque à ponte é uma ação demasiado relevante. É um grande ganho operacional e de credibilidade para a Ucrânia”, afirma o major-general Agostinho Costa. Isto porque a ponte de Kerch não só tem um elevado valor simbólico para a Rússia – é encarado pelo próprio Vladimir Putin como a grande obra pública da sua longa presidência – mas também tem impacto na capacidade russa de conduzir a guerra. A ponte liga a península da Crimeia à Rússia e é utilizada por Moscovo para abastecer o seu exército com todos os materiais necessários para conduzir da guerra, de combustíveis a munições. “Um ataque à ponte tem um valor simbólico muito grande. É um grande sucesso mediático”, sublinha o major-general.

Segundo o líder do SBU, Vasyl Maliuk, o drone naval utilizado nesta operação chama-se “Sea Baby” e tem vindo a ser desenvolvido desde o início do conflito. O oficial ucraniano admitiu também que foi este modelo de drone que participou nos ataques que danificaram o navio anfíbio de transporte de pessoal Olengorskiy Gornyak e o petroleiro SIG, que se encontravam no Mar Negro.

Estes drones navais têm pouco mais de cinco metros de comprimento mas conseguem carregar cerca de 300 quilos de explosivos a uma velocidade de 80 quilómetros por hora e atingir um alvo a 800 quilómetros de distância. Podem levar três câmaras HD a bordo e o seu sistema de controlo por satélite é encriptado.

Cada um destes drones tem um custo aproximado de 250 mil dólares, o que pode parecer um valor elevado, principalmente quando estamos a falar de uma arma que é feita para se destruir. Mas o custo destas pequenas embarcações kamikazes é muito inferior aos muitos milhões necessários para adquirir um navio de guerra e a sua tripulação altamente especializada.

“Têm uma relação custo-eficácia bastante grande. Pode pegar-se num casco idêntico ao de uma mota de água, colocam-lhe explosivos, comunicações e visão e podem destruir um alvo de milhões”, explica à CNN Portugal o comandante João Ribeiro.

Nos últimos meses, a Ucrânia tem evitado confirmar a autoria dos ataques, fazendo apenas referências vagas a ataques com “objetos flutuantes não-identificados”. Agora, o SBU admite que o ataque de julho demorou meses a ser preparado e planeado e que a operação foi chefiada pelo almirante Oleksiy Neizhpapa, da marinha ucraniana.

Maliuk recorda ainda os últimos momentos antes da operação, quando ninguém conseguia dormir ou comer. “Estávamos completamente concentrados.” Após o ataque, vários países ocidentais demonstraram interesse em obter os conhecimentos acerca da preparação desta intervenção.

Apesar de sublinhar que todos os alvos ucranianos são “legítimos” e que as forças armadas do país só atingem alvos permitidos de acordo com a lei internacional, Maliuk sublinha que mais surpresas estão a ser preparadas. “Estamos a trabalhar numa série de novas operações interessantes, inclusive nas águas do Mar Negro. Eu prometo-vos, será emocionante, especialmente para nossos inimigos”, disse Maliuk, à CNN.

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