É uma das grandes fontes de receita da Rússia, mas o lucro do petróleo começa a cair

5 jul, 18:09
Petroleiro russo (David Ryder/Getty Images)

Receitas tinham aumentado em 20% este ano, o que poderá não se repetir daqui para a frente

As exportações marítimas de crude da Rússia para os países asiáticos estão em queda, naquilo que os analistas veem como um sinal de que o país está a ter uma diminuição nas reservas de energia.

Segundo a Bloomberg, o fluxo de trocas comerciais de combustível por via marítima caiu 15% numa base semanal de média a quatro semanas, comparando com o mês de maio. Um possível rombo nos cofres russos, que passaram a depender de países como China e Índia para continuarem a escoar o petróleo, uma vez que o Ocidente aplicou fortes sanções à importação do produto. De resto, China e Índia representam já cerca de 50% do petróleo russo exportado por mar.

Se os preços do petróleo russo costumavam ser baixos, sobretudo por causa de sanções e boicotes, a guerra veio mudar a situação, uma vez que a procura do combustível fez disparar os preços, o que, de forma indireta, acabou por beneficiar o invasor da Ucrânia.

Um benefício que deve representar um aumento das receitas russas em 285 mil milhões de dólares (cerca de 277 mil milhões de euros) em 2022, mais 20% que no ano anterior, o que poderá não se repetir daqui para a frente.

Os envios de crude da Rússia nas quatro semanas de junho atingiram os 3,5 milhões de barris por dia, um decréscimo em relação aos 3,75 milhões de barris enviados por dia nas quatro semanas de abril.

Dois dos grandes responsáveis serão Coreia do Sul e Japão, cujas importações de petróleo russo caíram nas últimas semanas. Ao todo, a região asiática é responsável por 52% dos carregamentos marítimos enviados pela Rússia, uma percentagem que era de 63% a meio de abril.

Um duro revés para um país que perdeu grande parte do mercado europeu, nomeadamente depois do mais recente pacote de sanções da União Europeia, que pela primeira vez teve os combustíveis fósseis importados da Rússia como alvo (excluindo o gás natural). É que Bruxelas vai cortar a importação de petróleo em 90% até ao fim do ano, ao passo que os Estados Unidos admitem que a percentagem de importação pode descer em 18% até ao início de 2023.

A maioria destes carregamentos ainda continua a ser feita a partir das plataformas russas no Ártico e no Báltico, sendo que alguns dos petroleiros que dali têm saído foram captados ao largo dos arquipélagos portugueses de Açores e Madeira.

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