A Ucrânia é uma proxy war? E o que é, afinal, uma proxy war?

2 mar 2023, 19:00

Os meios de comunicação referem-se, muitas vezes, à existência de uma guerra por procuração na Ucrânia. O termo em inglês, muito usado também, é proxy war. Na realidade, a ser uma proxy war, o conflito na Ucrânia não seria a primeira guerra por procuração. Mas de que se trata?

Uma proxy war implica a existência de elementos alheios a um conflito, pelo menos de forma direta. Funcionam como patrocinadores de uma ou várias partes presentes no conflito. Esse patrocinadores são grupos com interesses, de Estados soberanos ou unidades territoriais integradas num ou em mais Estados.

Mas os patrocinadores da uma guerra por procuração podem ser também organizações políticas, como partidos e plataformas sociais ou grupos de interesse. Não menos raro, é o caso de grandes multinacionais, com determinados interesses numa região ou território. Muitas vezes, falamos de recursos naturais altamente valorizados à escala global.

Uma forma de conflito que não é nova

Dois bons exemplos, entre muitos, de proxy wars em plena Guerra Fria são a guerra do Vietname, que começou em 1955 e 1975, e a guerra civil libanesa, que teve lugar entre 1975 e 1990.

Em ambos casos, os países, onde coexistiam várias partes em conflito, receberam, das superpotências da altura, Estados Unidos e União das Repúblicas Soviéticas Socialistas, ajuda em forma de armamento e munição, mas também treino militar e ajuda a diferentes milícias. Em ambos casos, a ajuda, que chegava de ambos lados da cortina de ferro, ajudou a que os conflitos se prolongassem no tempo.

De forma não exaustiva e não cronológica, podemos ainda referir conflitos passados como a guerra na Península da Coreia, o conflito entre o Iraque e o Irão pós-revolução islâmica ou

O mesmo aconteceu, em várias antigas colónias europeias em África. A URSS mantinha uma política de ajuda aos movimentos independentistas em vários territórios colonizados. Angola e Moçambique não foram exceção. Moscovo recebia pessoas para formação superior nas universidades da URSS e mantinha relações próximas com movimentos independentistas. Mais uma vez, a ajuda que vinha do URSS passava também por dinheiro, armas e treino.

Outra forma de proxy war, que nos é mais próxima, é o conflito na Síria, fruto das ondas expansivas da chamada Primavera Árabe, cujo epicentro teve lugar na capital tunisina, e vários conflitos na América Central, como a guerra civil de El Salvador.

Na Ucrânia, a NATO evita um conflito direto com a Federação Russa

Na Ucrânia, conseguimos entender que quem ajuda o país ou uma das partes em conflito é uma aliança militar. Neste caso a NATO ou OTAN, de acordo com a sigla em língua portuguesa, tem interesses que chocam com os da Federação Russa. Por isso, armamento, munição, treino e apoio logístico são prestados à Ucrânia invadida.

Do lado russo, e neste caso, sim, é o apoio de um Estado soberano, o apoio às minorias russófonas interessadas em integrar a Federação, são apoiados financeiramente. O território ucraniano que Moscovo quer integrar à força,  através de referendos não-reconhecidos pela Comunidade Internacional, é capturado, para além das tropas do Kremlin, por milícias e grupos paramilitares como o Grupo Wagner ou as milícias chechenas.

Evitar um conflito maior

Finalmente, tanto no caso da invasão da Ucrânia, como no caso dos grandes conflitos que se produziram em todo o mundo durante a Guerra Fria, as proxy wars permitem que potências com força letal maior se enfrentem sem recorrer, por exemplo, ao armamento nuclear. É o que vemos neste último ano, com os Estados Unidos a evitarem um envolvimento direto nos confrontos no leste e sul da Ucrânia com a Rússia. É uma forma de evitar o que muito se teme, ou seja, o recurso a armas nucleares.

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