Tomada de Mariupol: a reunião encenada no Kremlin, as garantias de Putin e o apelo da Ucrânia (o que sabemos até agora)

21 abr, 09:47

Rússia anunciou a "libertação" da cidade portuária de Mariupol, que estará agora sob controlo russo. Mas o Kremlin parece ter desistido de se impor nas instalações da Azovstal: após a anunciada rendição de quase 1.500 combatentes, Putin optou por "bloquear" a fábrica em vez de a invadir

A Rússia anunciou esta quinta-feira a tomada de Mariupol, a cidade costeira que estava cercada pelas forças da Federação Russa há cerca de dois meses, considerada um ponto estratégico junto do Mar de Azov.

O anúncio russo não foi, até ao momento, alvo de qualquer comentário da parte do gabinete de Volodymyr Zelensky, ou de algum dos seus conselheiros. Mas, já esta quinta-feira, Maksym Zhorin, comandante do batalhão Azov, entrincheirado na fábrica Azovstal - o último reduto da resistência em Mariupol - garantiu que as forças russas "não pararam de bombardear áreas de Mariupol", em declarações citadas pela CNN, mesmo durante as negociações para a abertura de corredores humanitários.

E já depois de a Rússia ter dito que tem Mariupol sob controlo, a vice-primeira-ministra ucraniana Iryna Vereshchuk escreveu no seu canal do Telegram que a Ucrânia exige à Rússia um corredor humanitário urgente para retirar civis e soldados feridos da fábrica Azovstal, no porto de Mariupol.

"Há agora cerca de 1.000 civis e 500 soldados feridos. Todos precisam de ser retirados da Azovstal hoje", sublinhou a governante, acrescentando um apelo aos líderes mundiais e à comunidade internacional para que "concentrem os seus esforços na Azovstal" nesta altura. Mas nem uma palavra sobre o alegado controlo russo de Mariupol. 

O anúncio da captura da cidade de Mariupol terá sido cuidadosamente preparado, escreve o correspondente do jornal britânico The Guardian em Moscovo, Andrew Roth, que refere que, na prática, pouco mudará no terreno.  A televisão russa mostrou uma reunião de Vladimir Putin com o ministro da defesa Sergei Shoigu, que garantia ao presidente que a cidade tinha sido "libertada" - apesar de, aparentemente, os bombardeamentos continuarem. 

Shoigu admitiu que serão precisos mais alguns dias para que os russos derrotem os resistentes ucranianos que ainda se encontram na Azovstal, com Putin a decidir que não seria "prático" invadir a fábrica no porto de Mariupol, tendo cancelado o ataque.  

"Não há necessidade de entrar nestas catacumbas e rastejar por baixo destas instalações industriais", disse o presidente russo, na intervenção televisionada.

Putin decidiu, então, que a fábrica da Azovstal - onde, segundo números divulgados pela própria Rússia, permanecem cerca de 2.000 resistentes - será bloqueada de forma segura para que "nem uma mosca" passe despercebida. De acordo com Shoigu, 1.478 combatentes na Azovstal renderam-se e os que decidirem entretanto sair serão tratados com respeito, garantiu também o presidente Putin.

Segundo as forças russas, a cidade de Mariupol está agora calma e com condições para o regresso dos civis. Congratulando-se com o "sucesso" da operação em Mariupol, Putin felicitou mesmo o ministro da Defesa pela "libertação" de Mariupol. E Shoigu garantiu que os soldados do Kremlin conseguiram retirar mais de 142 mil civis da cidade. 

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