Rússia suspende participação no acordo de exportação de cereais ucranianos após ataques na Crimeia

CNN Portugal , HCL
29 out, 16:38
Navio Razoni com cereais da Ucrânia (Khalil Hamra/AP)

Decisão foi comunicada pelo Ministério da Defesa russo e ocorre após ataques ucranianos na Baía de Sebastopol. ONU já tinha alertado para a fragilidade do acordo e está em contacto com as autoridades russas

O Ministério da Defesa russo anunciou este sábado que a Rússia vai suspender a sua participação no acordo para a exportação de cereais ucranianos na sequência dos ataques a navios na Baía de Sebastopol, Crimeia, registados durante a manhã. 

"Tendo em conta o ato terrorista perpetrado pelo regime de Kiev a 29 de Outubro deste ano com a participação de especialistas britânicos contra navios da frota do Mar Negro e navios civis envolvidos na garantia da segurança do corredor de cereais, o lado russo suspende a participação na implementação de acordos sobre a exportação de produtos agrícolas a partir de portos ucranianos", diz a mensagem divulgada na conta oficial de Telegram do Ministério da Defesa russo.

Anteriormente, o Ministério da Defesa russo tinha anunciado que a Ucrânia tinha lançado uma série de ataques contra navios da frota do Mar Negro, utilizando, segundo a  nove drones e sete drones marítimos autónomos. Todos eles foram destruídos.

Sebastopol, na Crimeia (AP)

ONU em contacto com as autoridades russas

Pouco após o anúncio russo, a Organização das Nações Unidas avançou estar em contacto com as autoridades russas."É vital que todas as partes se abstenham de qualquer ação que colocaria em perigo a Iniciativa de Cereais do Mar Negro, que é um esforço humanitário que está claramente a ter um impacto positivo no acesso a alimentos para milhões de pessoas em todo o mundo", disse o porta-voz da ONU, Stephane Dujarric.

O anúncio russo surge também num momento em que as Nações Unidas, na sexta-feira, já tinham pedido que Kiev e Moscovo conseguissem negociar um acordo que permita renovar o pacto que tem permitido a exportação de cereais a partir do Mar Negro da Ucrânia para além de novembro. A ONU sublinhava que isto era essencial para contribuir para a segurança alimentar global.

"Sublinhamos a urgência deste acordo para contribuir para a segurança alimentar em todo o mundo, e para aliviar o sofrimento que esta crise global do custo de vida está a infligir a milhares de milhões de pessoas", disse o porta-voz da ONU, Stephane Dujarric, numa declaração.

Nos termos do acordo de 22 de Julho, a Ucrânia conseguiu voltar a exportar cereais e fertilizantes a partir do Mar Negro, que tinham ficado bloqueadas quando a Rússia começou a invasão de 24 de Fevereiro. O acordo de exportação da Ucrânia foi inicialmente acordado por 120 dias.

As Nações Unidas estão a trabalhar para prorrogar o acordo até um ano e facilitar as inspeções conjuntas de navios por funcionários da ONU, turcos, russos e ucranianos. As Nações Unidas advertiram recentemente para um atraso de mais de 150 navios.

Antes de anunciar a suspensão do acordo, a Rússia já o tinha criticado por várias vezes, queixando-se de que as suas próprias exportações continuavam a ser dificultadas e de que não havia cereais suficientes na Ucrânia para ajudar os países mais necessitados. 

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