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Rússia aceita renovar por dois meses acordo para exportação de cereais ucranianos. Mas quer solução para os seus cereais e fertilizantes

17 mai 2023, 17:39
Navio ucraniano com cereais no Mar Negro (Arquivo AP)

Rússia ameaçara retirar-se do acordo para exportação de cereais ucranianos a partir de 18 de maio. Presidente da Turquia anunciou renovação por dois meses, mas embaixador russo na ONU diz que os problemas de Moscovo também têm de ser resolvid

A notícia foi avançada pelo presidente turco: o acordo para exportação de cereais pelo Mar Negro, iniciativa da qual a Rússia prometera retirar-se a partir desta quinta-feira, 18 de maio, foi renovado por mais dois meses na véspera do fim anunciado.

"Foi decidido prolongar por mais dois meses o acordo dos cereais no mar Negro”, declarou Recep Tayyip Erdogan. Mas, ainda na terça-feira, o Kremlin tinha afirmado que havia "muitas questões sem resposta" a resolver antes de prolongar o acordo, que expirava na quinta-feira à noite.

Aparentemente, as questões não foram resolvidas: "Ainda não perdemos a esperança de que os problemas que estamos a levantar possam ser resolvidos", disse aos jornalistas Vassily Nebenzia, o embaixador russo nas Nações Unidas. "Quanto mais cedo, melhor", frisou Nebenzia. A Rússia quer ver solucionados problemas relacionados com as suas próprias exportações de cereais e fertilizantes, que diz serem afetadas pela falta de acesso a seguros e ao sistema de pagamentos internacionais SWIFT - em resultado das sanções impostas a Moscovo por causa da invasão da Ucrânia.

A porta-voz da diplomacia russa, Maria Zakharova, declarou que o acordo foi prolongado para ajudar os países que precisam, mas acrescentou que a avaliação geral russa da situação, quanto a este acordo, não se alterou. 

Já a Ucrânia, congratulou-se pela extensão da chamada Iniciativa dos Cereais do Mar Negro, mas sublinhou que não se pode permitir à Rússia que sabote o acordo e que Moscovo deve parar de usar a comida como arma e chantagem.

"Saudamos a continuação da Iniciativa, mas enfatizamos que tem de trabalhar de forma efetiva", escreveu no Facebook Oleksandr Kubrakov, vice-primeiro-ministro da Ucrânia.

 


A renovação do acordo foi saudada também por António Guterres: o secretário-geral da ONU afirmou que a continuidade da Iniciativa "é uma boa notícia para o mundo", admitindo que permanecem por resolver matérias que continuarão a ser discutidas pela Rússia, Ucrânia, Turquia e ONU. "Olhando para a frente, esperamos que as exportações de comida e fertilizantes, incluindo amónia, da Federação Russa e da Ucrânia, sejam capazes de chegar às cadeias globais de abastecimento de forma segura e previsível", acrescentou Guterres, citado pela Reuters.

O acordo entre Kiev e Moscovo, fechado em julho do ano passado com intermediação da Turquia e da ONU, garante a passagem segura de cereais e outros produtos saídos de portos ucranianos, apesar da invasão russa. Em março deste ano, a Rússia disse que iria prolongá-lo por mais 60 dias, ainda que a ONU, a Ucrânia e a Turquia tenham insistido numa extensão de 120 dias.

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