Quatro mísseis caíram em Lviv, a cidade que é porta de saída dos refugiados da Ucrânia para a Polónia

18 abr, 10:45

Pelo menos sete pessoas morreram e onze ficaram feridas no ataque a Lviv, entre as quais uma criança. Cidade na zona ocidental da Ucrânia é ponto de chegada para deslocados de outras zonas de guerra da Ucrânia e porta de saída para a Polónia, a cerca de 70 quilómetros, vivendo até agora em relativa tranquilidade

A cidade de Lviv, na zona ocidental da Ucrânia, tem sido poupada pelas forças russas desde o início da invasão em território ucraniano. Mas, esta segunda-feira, Moscovo pareceu querer dar sinal de que, apesar de estar a concentrar esforços no leste do país, as zonas longe da linha da frente de combate continuam sob ameaça: Lviv foi atingida de madrugada com pelo menos quatro mísseis, que fizeram sete mortos e onze feridos, entre os quais uma criança.

"Os russos continuam barbaramente a atacar as cidades ucranianas do ar, cinicamente declarando para todo o mundo o seu 'direito'... de matar ucranianos", escreveu no Twitter Mykhailo Podolyak, conselheiro do presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, confirmando o ataque.

 

Os primeiros relatos davam conta de que Lviv tinha sido atingida por cinco mísseis, mas a informação seria atualizada horas depois pelo presidente da câmara da cidade, Andriy Sadovyi, e também pelo governador da região, Maksym Kozytsky.

Kozytsky revelou que os ataques, realizados por quatro mísseis, tinham tido como alvos três infraestruturas militares e o quarto míssil tinha atingido um edifício civil, que aparentemente albergava uma oficina de reparação de pneus, fazendo deflagrar incêndios. Também o número de mortes subiu, passando de seis para sete após um segundo balanço. 

De acordo com o autarca de Lviv, cerca de 40 automóveis foram destruídos no ataque à recauchutagem e as ondas de choque provocadas pelo impacto partiram os vidros das janelas de um hotel nas imediações, onde vivem nesta altura ucranianos deslocados de outras zonas de guerra do país.

 

Lesia Vasylenko, deputada ucraniana, publicou uma imagem nas redes sociais onde é possível ver chamas em edifícios junto da linha de comboio, garantindo que a estação de comboios de Lviv, que tem sido importante ponto de saída da Ucrânia, era o alvo das forças russas, que até agora não falaram sobre o ataque. Um comunicado do Ministério da Defesa russo indica apenas que, durante a noite, foram atingidos 315 alvos ucranianos e várias cidades da Ucrânia foram bombardeadas.

"Parecia um terramoto", disse à BBC Yaroslav, ucraniano que vive perto da oficina que foi atingida. Outro homem falou à equipa de reportagem da televisão britânica, que já conseguiu chegar ao local, destacando que também a casa onde vive, a cerca de 10 quilómetros deste alvo, tremeu com o choque do míssil.

Myroslava, uma mulher que estava próxima do ponto de impacto no momento do ataque, disse à BBC: "Estamos ansiosos, estamos vazios por dentro. Porquê nós? Não compreendemos para que é tudo isto". 

Lviv poupada até agora

A cidade de Lviv, situada na zona ocidental da Ucrânia, tem sido poupada pelas forças russas desde o dia 24 de fevereiro, data do início da invasão. No dia 26 de março, uma série de ataques destruíram um depósito de combustível nos arredores da cidade, provocando ferimentos em cinco pessoas. Um outro ataque, no dia 18 de março, atingiu um hangar de reparação de aeronaves, próximo do aeroporto da cidade. 

Antes, no dia 13 de março, mísseis cruzeiro foram disparados contra uma importante base militar a 40 quilómetros a noroeste de Lviv, provocando 35 mortos e 134 feridos. 

A cerca de 70 quilómetros da fronteira polaca, Lviv é um dos principais corredores de fuga para deslocados e refugiados ucranianos oriundos das zonas mais afetadas pela agressão da Rússia e várias embaixadas ocidentais foram transferidas para a cidade. 

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